terça-feira, 14 de maio de 2013

A POLAQUINHA de Dalton Trevisan (Relógio D´Água)


“O estilo é uma maneira muito simples de dizer coisas complicadas” Jean Cocteau

O acto de ler, sobretudo para quem não se imagina privado dele, vai rendendo algumas mais-valias. Dalton Trevisan, agora editado entre nós pela Relógio D´Àgua, já estava na minha lista de interesses desde que numa das leituras que fiz do blogue de José Rentes de Carvalho aí tinha sido referenciado. O Prémio Camões em 2012, não fez mais do que aumentar esse meu declarado interesse. E provavelmente acelerou a sua publicação. Sim, que isto de editar anda muito pendurado em galardões. Demasiadamente até, se me é permitido opinar. Neste caso particular, a fama de Trevisan e a sua especialidade é o conto. Foi esse o género que o tornou uma referência e é até do título de um dos seus livros “O Vampiro de Curitiba” que se retirou a alcunha pela qual é conhecido, dada a sua extrema recusa em aparições públicas de qualquer género. E, por paradoxal que possa parecer, a um contista de renome e eleição, começo-lhe a obra pelo único romance que tem publicado, este “A Polaquinha” de 1985. É mais uma vez de relevo o facto de que Dalton Trevisan tem neste momento 88 anos, o que me está a transformar, na média dos autores que vou elegendo ultimamente, numa espécie de seguidor da obra literária de gente com bastante idade. “A Polaquinha” é uma obra surpreendente. E é uma porta de entrada excelente para o resto da obra, que diga-se já, não me vai escapar. É a história da vida íntima de uma mulher, num percurso habitado por vários homens e pela descrição da evolução da sua vida sexual até a um final absolutamente genial. Do melhor que Trevisan nos oferece são os diálogos. Absolutamente no tom e no ritmo certo para cada um dos confrontos destas personagens, Uma linguagem clara, dolorosamente simples e um registo que é no minino hipnótico. Não se consegue, de forma nenhuma abandonar o livro até ao seu final. Não é meu hábito estabelecer comparações nem aqui fazer qualquer espécie de tabela de classificação do que vou lendo. Continuarei na base da sugestão baseada no meu gosto pessoal. Partindo dessa base absolutamente individual e solitária, que é no fundo a magia que a leitura em nós provoca, posso afiançar que foi um dos livros que mais prazer me deu ler nos últimos tempos. Poderá ser demasiado explicito para uns, mas para mim é o necessário para que vá já fazendo a lista de compras de resto da obra. Sem mais. Boa Semana e Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
A CONSCIÊNCIA E O ROMANCE de David Lodge (ASA)
UM HOMEM DE PARTES de David Lodge (ASA)
C de Tom McCarthy (Editorial Presença)
A QUESTÃO FINKLER de Howard Jacobson (Porto Editora)
COMO É LINDA A PUTA DA VIDA de Miguel Esteves Cardoso (Porto Editora)
A LUZ É MAIS ANTIGA QUE O AMOR de Ricardo Menéndez Salmón (Assírio & Alvim)


1 comentário:

Fernando Lopes disse...

Comprei "A Polaquinha" e "O Vampiro de Curitiba", que já li. De certeza que não fomos separados à nascença?