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Em Abril...

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A avaliar pelos dois anteriores vem aí mais um grande romance... http://estanteacidental.blogspot.com/2009/12/o-caligrafo-edward-docx-2004-editora.html http://estanteacidental.blogspot.com/2009/12/verdade-de-edward-docx-civilizacao.html

TEMPESTADE de William Boyd (Casa das Letras)

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“ Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo ” NIETZSCHE Já com um livro anterior, esta impressão me tinha assaltado. É um autor de começos lentos, que introduz as tramas dos seus livros com suavidade. Que nos vai tornando progressivamente mais nitidos os cenários e as personagens até que, a um dado momento, sem quase nos apercebermos, estamos a viajar no livro a toda a velocidade. Não acontece com muitos autores, nem com muitas histórias. Este livro “Tempestade”, é um romance quase policial, se é que o género existe, e digo quase porque, pra além das características normais, encerra um conceito algo invulgar no enredo. O personagem principal desaparece socialmente. Adam Kindred, um jovem invetigador no campo da meteorologia, é envolvido acidentalmente num assassinato e torna-se o principal suspeito dessa morte. A principal característica disitintiva deste livro é a forma com Adam desaparece, e lhe são progressivamente retirados, camada após camada, todos o...

TEMPO CONTADO de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

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“ Ser senhor do seu tempo é ser senhor de si próprio ” VOLTAIRE Para um leitor de assiduidade exemplar do blogue que o J. Rentes de Carvalho mantém, com actualizações diárias em tempocontado.blogspot.com , foi uma espécie de regresso aos anos de 1994 e 1995, aos quais reportam as entradas deste magnífico diário. A primeira caracteristica, e para mim, provavelmente a que mais avulta entre as muitas qualidades da escrita de J.Rentes de Carvalho é indefinivel por ser pessoal e intransmissível, é a de ser absoluta e completamente viciante. A clareza dos raciocínios, a visão atenta e sobretudo desempoeirada e fresca com que J.Rentes de Carvalho, nos brinda acerca de quase tudo aquilo em que podemos pensar ( e que o autor faz o favor de pensar por nós, note-se...) é absolutamente mágica. Em “Tempo Contado”, vamos acompanhando o quotidiano e pequenos e grandes eventos que se atravessam no “Tempo” que a J. Rentes de Carvalho pertence. Este diário, de este autor de que eu, ignorante confesso, ...

A caminho...

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O "Sargento Getúlio"sugestão recolhida em leitura de "Tempo Contado" de J. Rentes de Carvalho e "A Assombrosa Viagem de Pompónio Flato" por sugestão do Miguel Bastos e do Fernando Lopes.

O FEITIÇO DE XANGAI de Juan Marsé (D. Quixote)

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“ A cura está ligada do tempo e às vezes também às circunstâncias ” HIPÓCRATES Comecei este livro, oferta de amigos, com toda a abertura e esperança que alguma da recém descoberta literatura catalã me podia dar (descoberta para mim, claro está, basta ver em crónicas anteriores a minha incursão ao universo de Carlos Ruiz Zafón, como exemplo). No entanto, algo de parecido com um “feitiço” tomou conta de mim. Desde as primeiras páginas, uma sensação nebulosa de “déjà vú”, ou mais propriamente “déjà lú”. À medida que entrava de facto na história e nos seus personagens essa sensação foi-se intensificando até que, se fez uma luz. Não, não tinha já lido o livro. O que aconteceu é que, fruto de viver numa cidade que me oferece o privilégio de ser sócio de um dos mais antigos e certamente o mais activo e participado de todos os cineclubes do País, já tinha visto o filme. Curioso, não ter feito de imediato a ligação entre um e outro. Um bom filme de Fernando Trueba “El embrujo de Xangai”, que ...

BANCO de Henri Charrière (Bertrand

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“ A imaginação mais louca tem menos recursos que o destino ” CLAUDE AVELINE Esta semana, vou sugerir um dos primeiros livros de que tenho memória e do qual gostei verdadeiramente. Provavelmente o titulo “Banco” não dirá muito a muita gente, nos dias que correm. Mas, se dissermos que este é o segundo livro de Henri Charrière, que se seguiu a “Papillon”, estou certo que se fará luz. Por motivos que me são estranhos, provavelmente por ser ainda muito novo e por se encontrar este livro na biblioteca do meu pai, li-o antes de ler o primeiro. De “Papillon” muito se poderia dizer, desde o facto de ter constituido um dos maiores sucessos editoriais de sempre, considerado à época do seu lançamento, bem entendido, até às muitas polémicas que gerou, umas que teriam a ver com a veracidade do relato, que se pretedia auto-biográfico, até à qualidade literária, que muitos tentaram apoucar. A minha opinião, muitas vezes aqui expressa é a de que um bom livro, tem de ter ou uma boa história, (ou mesmo ...

O TRIUNFO DOS PORCOS de George Orwell (Europa-América)

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“ O fascismo não é impedir-nos de dizer, é obrigar-nos a dizer ” ROLAND BARTHES Um regresso a um livro obrigatório, de um dos autores mais marcantes do Século XX, George Orwell. “O Triunfo dos Porcos” ou “Animal Farm” no original, é um clássico. Uma alegoria protagonizada por animais daquilo que pode, e sucede, muitas vezes na sociedade humana. Sobre esta e outras obras de Orwell, muitos, sobejamente mais preparados do que eu, tem feito interpretações de todo o género. A mim basta-me uma. Podemos sempre substituir as personagens do livro por quem quisermos que o resultado, se o quisermos, conduz sempre ao mesmo: o poder corrompe. Não me vou alongar em tiradas mais ou menos profundas sobre as segundas leituras que esta obra pode proporcionar, a vantagem da leitura ser um acto indivudual é mesmo essa, cada um de nós tem a liberdade, perante uma obra, de a tornar um bocadinho “nossa” consoante a visão que tem do mundo. Dizem que a história tem como pano de fundo o falhanço dos principios ...

COM OS HOLANDESES de J.Rentes de Carvalho (Quetzal)

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“ Nós não vemos as coisas como elas são, vemo-las como nós somos ” ANAIS NIN O que é o verdadeiro carácter de um povo? Onde reside o traço comum dos membros de uma mesma nacionalidade? Ainda mais do que isso, o que é a alma de uma gente vista pelos olhos de quem dela não se sente parte na totalidade? Se quisermos falar de nós, portugueses, já Julio César dizia, que havia nos confins da Iberia um povo “que nem se governa nem se deixa governar”, o que pode muito bem ser o fado da lusitanidade. J.Rentes de Carvalho, de quem me tornei um seguidor atento e diário, acompanhando o seu blogue tempocontado.blogspot.com, que aliás recomendo vivamente, publicou este livro em 1972, a retratar os Holandeses na sua condição de cidadão de acolhimento. É uma obra singular, em que o “hóspede” define os “senhorios” em todas as dimensões do seu ser. É de uma frontalidade e franqueza a toda a prova, mas o que se sente acima disso, até porque o excesso de franqueza pode raiar a má educação, o que nunca ac...

"Fisgado" em Lisboa....

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Por coincidência, hoje, na "Capital do Império" entrei na Buchholz e encontrei-o, já que, a fazer fé no Fernando Lopes, pela Invicta encontra-se esgotado. E se está é porque merece...Este também era filho único...

A TAPEÇARIA DO SINAI de Edward Whittemore (Ulisseia)

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“ Originalidade não consiste em dizer o que ninguém disse antes, mas em dizer exactamente o que você pensa por si próprio ” JAMES STEPHENS Pode-se ler na capa deste livro que o seu autor é: o grande autor americano desconhecido do Séc. XX, mais coisa menos coisa. Habituado que estou às citações de terceiros, e a um cada vez mais rotineiro uso e abuso de estratégias de marketing e autopromoção por parte de editores, livreiros e autores, fiquei, como se costuma dizer, “de pé atrás”. Sendo assim, nada mais me restava que não fosse ler com os meus próprios olhos e, deixar aqui as minhas conclusões. E que boa surpresa se tornou este livro. Lido sem qualquer espectativa de maior, posso agora dizer que é uma obra prodígiosa. E prodígios não faltam neste livros. Para começar, ainda estou com a cabeça à roda na tentativa de o classificar. Não é fácil. É um registo literário muito próprio, andará certamente não muito longe do realismo mágico, mas num mundo e em cenários muito diferentes daquel...

Novas Entradas

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Ofertas da Zaclis, Marta e Pedro. Obrigado. Vocês são do meu coração!!!!

O HOMEM QUE MATOU GETÚLIO VARGAS de Jô Soares (EDITORIAL PRESENÇA)

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“ São as circunstâncias que governam os homens, não os homens que governam as circunstâncias ” HERÓDOTO Não sei bem o que nos leva, cada um de nós a ler. E dentro do que lemos, também não sei quais os factores que determinam o que lemos a cada momento. Há no entanto uma coisa que sei, quando um livro de um determinado autor me desperta interesse ou me agrada, tento procurar mais, e, quando posso, ler um ou dois livros desse autor de seguida. Não sei se o faço para confirmar impressões, ou simplesmente, porque quando se gosta de determinada coisa quer-se sempre um bocadinho mais. Tem sido assim comigo, e, se repararem, ultimamente foi-o com a obra de J. Rentes de Carvalho, que estou a acompanhar com especial prazer, assim como é com Jô Soares, do qual, não sendo uma descoberta, mas um feliz reencontro, venho sugerir mais este livro delicioso. “O Homem que matou Getulio Vargas” é um romance bem ao estilo de Jô Soares, com um personagem central muito bem conseguido, uma galeria de actor...

2010 - Os Livros de que não falei.

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No finalzinho de 2010, deixo aqui, tal como nos típicos jantares desta quadra, “os restos” para partilhar com os amigos. Desde a primeira destas sugestões de leitura, que, no final da página há um conjunto de livros a que pomposamente chamo os da “mesinha de cabeceira”. São aqueles que vou tendo para ler... E, como tenho aqui repetido muitas vezes, apesar de ser um leitor compulsivo e de ler quase tudo , o facto é, que o quase também existe. Há um certo número de livros que me passam pelas mãos, sejam oferecidos, comprados, recomendados ou emprestados cuja leitura não fui capaz de concluir. Outros há ainda que li e não sugeri. Há ainda outros, a maioria, que foram simplesmente ultrapassados pelo meu interesse noutros que entretanto me surgiram (alguns desses casos ocorreram quando li a trilogia Millennium de Stieg Larsson, por exemplo). Assim, deixo aqui, para apreciação, e dividido entre o que li, o que não terminei, e os de que não gostei (mera opinião minha, que pode se...

FELIZ 2011!!!!!

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A AMANTE HOLANDESA de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

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“ Nas ligações do coração, como nas estações, os primeiros frios são os mais sensíveis ” BERNARD FONTENELLE C umprindo o que tinha prometido a mim próprio, aqui prossigo a minha descoberta particular do universo literário de J. Rentes de Carvalho. Este livro, “A Amante Holandesa”, não fez mais do que confirmar a impressão poderosa que me tinha deixado o primeiro que li, “Ernestina”. É um facto, J. Rentes de Carvalho é um escritor a sério. E digo isto alicerçado numa posição particular, de quem tem sempre, defeito meu decerto, preferido a literatura internacional ao que por cá se edita de autores nacionais. Irrita-me bastante a constante descoberta de “novos valores” e de “revelações”, que se vem a revelar, isso sim, grandes decepções para mim. É um pouco como se o futebol produzisse Eusébios e Maradonas em série, se é que me faço entender. Bem, retomando o tema e o autor, começo por dizer que, ao contrário de outras obras esta é-me dificil de classificar, ou encaixar numa das pratele...

Novas Entradas

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ASSASSINATOS NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS de Jô Soares (Editorial Presença)

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Feliz reencontro com um autor de poucos livros publicados. Para inicio de conversa adiantamos já que sim, este é o Jô Soares humorista, o de “ Viva o Gordo ” e dono de um dos talk shows mais influentes e antigos da TV brasileira. Tinha já lido em tempos o seu primeiro romance, do qual aliás fiquei com excelente impressão, e que aproveito aqui para também sugerir: “O Xangô de Baker Street”, uma deliciosa aventura de Sherlock Holmes no Brasil, escrita com humor e inteligência. Uma boa homenagem a Sir Arthur Conan Doyle, sem dúvida. Resolvi entretanto ir em busca de mais dois livros de Jô Soares, e do primeiro aqui estou a dar conta. Este “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras” é mais um excelente romance policial. Num estilo muito próprio ao qual não é nada alheia a veia humorística do autor e a sua particular boa disposição. O tema versa sobre a ascensão às cadeiras da Academia Brasileira de Letras e o que, de certa forma, todos os interessados estão na disposição de fazer para...

Mais um a agradecer ao Fernando Lopes...

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Em leitura...

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Andava há que tempos para ler isto, há algum tempo li "O Xangô de Baker Street" e adorei. Estes estou a ler em simultâneo....

ERNESTINA de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

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“ Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe.Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia. ” OSCAR WILDE Ele há coisas do demónio! Anda um cristão a pregar contra uma certa categoria de “autores portugueses vivos”, e esbarra-se com um, que além de português parece estar dez vezes mais vivo que os outros. J. Rentes de Carvalho, que me foi dado a conhecer pelo meu particular Amigo Fernando Lopes, é um autor de sucesso...na Holanda!!! Pasme-se! Pasmo eu, agora que li este livro, pela minha bruta ignorância, que temo não ande sózinha nas hostes dos leitores, mais ou menos compulsivos, como eu. Este Senhor (com maiúsculas merecidíssimas) é um Mestre. Há muito, muito tempo, que nada de comparável me acontecia com um livro e um autor. Então português...estamos conversados. Se tivermos por inclinação ler algumas das coisas que a “genialidade” auto-proclamada da meia dúzia do costume, encontramos neste “Ernestina” um contraste de qualidade...