quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A ROMANA de Alberto Moravia (Ulisseia

"Fragilidade, o teu nome é mulher!” WILLIAM SHAKESPEARE

Suponho que há alturas em que desejamos ardentemente um “livro de férias”, uma estória descontraída, leve, com frescura, que não nos faça pensar muito em muitas coisas. Ou, ao contrário, que nos faça pensar em céus mais azuis e climas mais quentes. Fruto do Inverno, certamente. Até porque quem lê sem prazer, não lê realmente, obriga-se a qualquer outra coisa. Opiniões minhas, claro. Isto para dizer que este não é um “livro de férias” (também, não é suposto que seja). Alberto Moravia, um dos grandes escritores italianos do Sec XX, acreditava, e praticava uma mistura entre literatura e vivência politico-social. Foi, até ao fim, uma das referências da esquerda italiana, e, por vezes, temos a sensação de que a esquerda é mais dura consigo própria, naquilo que se propõe viver e, neste particular, escrever. Este livro “A Romana” é um exemplo do que Moravia sente relativamente à realidade do seu tempo. É um retrato muito próximo e crítico de uma certa Itália do pós-Guerra, que, como todos os bons retratos, se perpetua no tempo e podemos, em pinceladas largas, adaptar aos nossos dias. Há nesta “Romana”, Adriana, um princípio de bondade e pureza, aliada ao Belo, que se vai perdendo. Uma progressiva corrupção da “alma”, que a caracterização das personagens, neo-real, cimenta. A descrição das atmosferas, o facto (absolutamente essencial para todos os efeitos, literários e não só) de este livro ser narrado na primeira pessoa e o principal personagem ser feminino, cria uma certa Trindade, entre Mãe, Filha e os Homens. A saída de uma “pobreza honesta” para um mundo onde o poder é entregue à Beleza da Mulher, e a constatação de que a vida de Adriana está determinada pelas formas do corpo (enquanto modelo de pintura primeiro, e depois como um meio para atingir fins), atira-nos para um cenário de profunda desilusão. Até para a semana e Boas Leituras!

PARA A SEMANA: A ESSÊNCIA DO MAL de Sebastian Faulks (Writing as Ian Fleming)
NA MESINHA DE CABECEIRA:
Continuam:
NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)
A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)
CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras)
BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)
O MONTE DOS VENDAVAIS de Emily Bronte
A ESTIRPE de Chuck Hogan e Guillermo del Toro
OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA de Richard Zimmler

RELATO DE UM NÁUFRAGO de Gabriel Garcia Márquez (Edições ASA)

“O fogo é a prova do ouro; a adversidade, dos homens fortes” SÉNECA

Uma pequena grande descoberta, (para mim, claro). Este livro que integra a colecção “Pequenos Prazeres” das Edições ASA. É um relato jornalistico de uma estória verdadeira, cuja publicação o autor classifica de certa forma como “forçada”, na Introdução, afirmando, que não é publicada pelo valor intrinseco mas sim pelo nome de quem a assina, o seu, Gabriel Garcia Marquez. Que me perdoe a modéstia do autor, mas é, de facto um pequeno grande livro. A estória é originalmente publicada em fasciculos num jornal Colombiano e gera grande polémica e mesmo consequências para o autor ao contradizer a versão oficial do Governo acerca do acidente com oito tripulantes do contratorpedeiro Caldas da marinha colombiana, em 1955, que origina esta naufrágio. O “relato” própriamente dito, é excepcionalmente bem escrito e tem como fonte um excelente contador de estórias, o próprio naufrago, Luis Alexandre Velasco, que é transformado numa celebridade nacional por ter sobrevivido a dez dias no mar. É a visão de um homem só, face aos elementos naturais e aos seus medos. É uma narrativa interessantíssima sob todos os pontos de vista. E julgo também, que, para quem conhece a obra de Gabriel Garcia Marquez, pode ser uma boa surpresa, e para quem não conhece, o que lamento, uma excelente introdução. Da obra de Garcia Marques, voltarei a falar, já que ando há alguns anos a tentar arranjar coragem para classificar um dos livros que mais me impressionou desde sempre, o incontornável “Cem Anos de Solidão”. E explico porquê, quando o li pela primeira vez, achei, à altura, que era absolutamente impossivel escrever algo melhor ou mais marcante que aquilo, no entanto, passados alguns anos, voltei a ler e mudou completamente a minha perspectiva. Numa próxima crónica falarei sobre releituras e os efeitos que se pode ter em voltar a “casas” onde se foi feliz!?! Entretanto aproveitem e leiam este, que vale realmente a pena. Até para a semana e Boas Leituras!

PARA A SEMANA: A ROMANA de Alberto Moravia (Ulisseia)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)

A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS de Edgar Allan Poe (Leya)

“O medo segue o crime e é seu castigo” VOLTAIRE




Esta semana proponho um livro extraordinário, um conjunto de contos de Edgar Allan Poe, o “pai” do policial, e definitivamente o primeiro a utilizar fortemente o elemento psicológico nos seus escritos. Aliás, uma das suas caracteristicas mais marcantes e distintiva da sua obra é a introdução do elemento subliminar na narrativa. Há sempre alguma coisa por trás do que está a acontecer. Sempre narrados na primeira pessoa, estes contos reunidos em “Histórias Extraordinárias” (originalmente “Tales of the Grotesque and Arabesque” traduzido para francês como “Histoires Extraordinaires” por Baudelaire) são uma primeira abordagem a um mundo de personagens profundamente afectadas por forte sentimentos de insanidade e doença, capazes dos actos mais vis. Há uma profundidade na abordagem do mal, e do mal que temos dentro de nós. Há inclusivamente um destes contos “O Demónio da Perversidade” em que edgar Allan Poe, antes de entrar na narrativa propriamente dita faz uma caracterização da maldade humana ímpar, se bem que, com recurso aos conceitos em voga na época, mais em concreto, o sucesso que fazia a frenologia, uma chamada “ciência”, que atribuia ao individuo um determinado caracter mais ou menos violento ou criminal pela análise das formas e caracteristicas da face e cabeça. Moda essa que caiu entretnto em desuso e quase desapareceu. Deste conjunto de contos, destaco “Metzengerstein”, a primeira história publicada por Poe, “A pipa de amontillado”, “Morella”, “O Poço e o Pêndulo” , “O enterro prematuro” e “O Escaravelho de Ouro”,isto, numa perspectiva de gozo puramente pessoal, evidentemente. A obra de Edgar Allan Poe, que inventou um género, não se esgota nestes textos, a elas voltaremos adiante, pois estes não são sequer os seus escritos mais famosos. No entanto foi-me dada com estes contos a oportunidade de regressar por estes dias à leitura de Poe, o que muito me agradou. É um universo negro, de demência, de maldade gratuita e injustificada, um compêndio de maldades e ambientes opressivos, a fazer adivinhar evolução de uma literatura especifica dentro do terror e absurdo. Não esqueçamos que E.A. Poe viveu entre 1809 e 1849, pelo que revisitar estes clássicos da literatura, nos torna conscientes que o génio é de facto intemporal. De Edgar Allan Poe, se são porventura adeptos de literatura fantástica e querem ir aos primórdios do policial, leiam tudo que conseguirem apanhar. O homem é um Mestre. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: RELATO DE UM NÁUFRAGO de Gabriel Garcia Márquez (Edições ASA)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)

A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

A ROMANA de Alberto Moravia (Ulisseia)

CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

CAMINHOS DE GLÓRIA de Jeffrey Archer (Publicações Europa-América)

“Os homens são como as estrelas; alguns geram a sua própria luz enquanto outros refletem o brilho que elas recebem” José Martí

Jeffrey Archer, Cavaleiro do Império Britânico e o mais jovem membro da Camara dos Lordes, é um dos mais lidos escritores de lingua inglesa. Antes de mais e para que conste, sou em principio contra a catalogação de alguns autores de “Best-Sellers” como produtores de “literatura de aeroporto”. Este é o caso em que a obra o destaca acima de muitos outros, e valha a verdade, há muitos autores pouco lidos, porque simplesmente não são tão bons. Este livro, baseado numa estória veridica e apaixonante, um dos grandes mistérios que subsistem no desporto e na superação humana, a conquista do Evereste, conta-nos a vida de George Mallory, de quem se diz ter sido o primeiro homem a atingir o cume do Evereste, décadas antes de Sir Edmund Hillary, uma polémica que ainda subsiste, com provas e contra argumentos. Mestre na arte de contar estórias, Jeffrey Archer prende-nos da primeira à ultima pagina e faz-nos “torcer” para que o final seja diferente daquele que efectivamente é. Mas é uma elevada e merecida homenagem a um homem que não ficou na história dos vencedores mas que lá deve constar. Das outras obras de Jeffrey Archer, do qual sou fã incondicional, destacam-se várias, algumas delas já bem conhecidas como “Primeiro entre Iguais”, “Abel e Caim”, Honra entre Ladrões” e o seu romance inaugural “Nem um tostão a mais nem um tostão a menos”. Obrigatóriamente voltarei à obra de Jeffrey Archer para dar o devido destaque a outras obras. Se entretanto, quiserem seguir o homem e a obra, consultem o seu blogue pessoal em www.jeffreyarchers.blogspot.com . Boas Leituras!

PARA A SEMANA: HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS de Edgar Allan Poe (Leya)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)

A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

domingo, 10 de janeiro de 2010

WineHouse, "Janeiras no Gelo" e Old Jerusalem



Noite excelente! A Alexandra a encantar os avós. Eu e a Dalila no Wine House (antiga Alfaiataria Damião, conhecido internacionalmente por inventar as "calças sexuais") no Centro Histórico de Guimarães, a degustar uma tábua de "quesos y embutidos" regados com um, para mim, desconhecido branco do Douro, Crasto 2008 (Supimpa!!!), após o que ainda assistimos a um par de actuações de grupos de cantores das "Janeiras" na Praça da Oliveira, que estava tão quente quanto os 1º C, permitiam, e depois um café/digestivo a ouvir uma banda que também não conhecia no Café Concerto do C.C. Vila Flor os "Old Jerusalem", da qual também fiquei cliente.
Á meia-noite, como duas Cinderelas, estavamos em casa com o nosso "sapatinho de cristal".

Ainda fazem "ratings" sobre a felicidade?!?!?!?!? Não me convidem para votar que eu estrago a média......

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Visão Global e Aqui na Terra

“Não há prazer comparável ao de encontrar um velho amigo, a não ser o de fazer um novo” Rudyard Kipling

VISÃO GLOBAL – Conversas para entender o Mundo - de José Cutileiro e Ricardo Alexandre (Prime Books)

Visão Global é, antes de mais, um programa de Rádio, que passa na Antena 1 entre as 12 e as 13 horas aos Domingos e onde, a dupla Ricardo Alexandre e o Embaixador José Cutileiro, vão discutindo temas da geopolitica mundial. É pois o fruto destas conversas que passa a livro e cuja leitura se aconselha. É muito mais do que meramente informativo, pois é sobretudo uma leitura atenta feita por dois especialistas na actualidade politica internacional. É de facto, uma Visão Global sobre o estado do Mundo, que colhe a imensa erudição do Embaixador e as suas visões, quase nunca “mainstream”, sobre a evolução da geografia politica Mundial. Atente-se no que se diz sobre a area dos Balcãs, onde ambos tem especial interesse, e ficamos a compreender melhor essa área tão sensível da Europa continental e que nem sempre é bem percebida pelas opiniões públicas. É um livro-entrevista, plasmado dos programas da Radio, onde se prova que para respostas inteligentes é absolutamente necessário colocar excelente perguntas. Para que não restem dúvidas, este conselho é, de facto, compadrio, ou não fosse o Ricardo padrinho da minha filha e um muito querido Amigo. Portanto, é correr às boas livrarias e comprar.

AQUI NA TERRA de Miguel Carvalho (Deriva) O Miguel Carvalho, outro grande Amigo, é um jornalista de reconhecidíssimos créditos, estando actualmente nos quadros da revista Visão como Grande Repórter. O “Aqui na Terra” é um livro absolutamente delicioso, que retrata factos e quotidianos de uma realidade absolutamente portuguesa, de uma forma absolutamente presente e reconhecível, viajamos dentro das nossas gentes e terras com os olhos emprestados do Miguel, que tem o génio de ver a essência das coisas e relatá-las com a simplicidade dos grandes contadores de estórias. E são várias as estórias que nos prendem à forma de ser e de viver do nosso povo, desde a viagem aos dias que antecederam a morte do padre Max e do empresário Ferreira Torres, passando por festas e romarias, pelo impagável Quim Barreiros, até à estória, que me tocou particularmente, eu que o conheci de perto, numa altura melhor da sua vida, ao surpreendente (re)encontro de um grande fadista caído na miséria, o João Correia, uma “força da natureza” a cantar o Fado e a viver. O lançamento deste livro contemplou uma passagem por Guimarães, pela Associação Convivio, numa noite memorável, pelo que alguns já estarão familiarizados com o Autor e com o livro. Falar sobre, ou recomendar obras de Amigos, pode revestir-se de alguma dificuldade, não são certamente estes dois livros o caso. Toca a comprar que aposto singelo contra dobrado que não se vão arrepender. E sim, é uma dupla recomendação de compadrio e Amizade, o que ainda me deixa mais satisfeito.
PARA A SEMANA:
CAMINHOS DE GLÓRIA de Jeffrey Archer (Europa-América) - NA MESINHA DE CABECEIRA:
Continuam:
NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)
A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)
CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras)
HISTÓRIAS EXTRAORDININÁRIAS de Edgar Allan Poe (Leya)
BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Da Estupidez dos Gajos I...

Um pequeno apontamento sobre a eterna problemática: gajos/gajas.

“Um amigo meu costumava dizer” (frase tipica de quem não quer assumir o que disse), que a mulher ideal seria “Boa e Surda-Muda”, o que na altura entendi como uma referência velada a Helen Keller. Sim. Boa e surda-muda?!?!? Quem mais? Depois de reflectir um pouco, pensei que se fosse só Boa, poderia ser a Madre Teresa de Calcutá. A Sra Dona Agnes Bojaxhi de Skopje.

Isto para dizer uma pequena verdade, que alguns iniciados conhecem desde sempre: OS GAJOS SÃO ESTÚPIDOS!!!, ou melhor, são se calhar, no mínimo, eles próprios, Surdos-Mudos.

É que, penso, (actividade não reconhecida pelo mulherio).... que as mulheres em geral, legitimamente, diga-se desde já, pensam... e cobertas de razão, é que a maior parte dos gajos não ouve. Kaput! Nestes! Rien! Deaf as a door J!!!!

E nem sequer se trata aqui de distinguir entre ouvir e “escutar” (um paroxismo levado à celebridade pelo jargão ferroviário das passagens de nivel sem guarda) habituados que estamos nós, simples mortais, à passagem diária de guardas sem nível...mas enfim, esse era tema para outro desabafo.

E qual é o meu “piqueno” conselho às damas? FALAI!!!!! DEEEZEI!!!! Não esperem que os rapazes adivinhem. O povo másculo não anda com o Oraculo de Bellinni no bolso do casaco.

Os exemplos de grandes mal entendidos abundam, e só, simplesmente só, porque o género feminino é mais dado ao subentendido que ao de facto.

“Eu parece-me que”....”e se em vez de dizer, eu”.... “não vale a pena”.....(e o melhor de todos)...”Mesmo que eu diga ele não ouve”.....

O que leva as mais das vezes, na ausência desse Deus das relações modernas que é a Comunicação, a que se façam “ouvir” por um putativo amante, (que, coitado, sofre para fingir que ouve.....).

E, porque cargas d´agua não se diz, na hora devida, e nas ventas do respectivo animal, aquilo que se guarda para despejar em futuros dias de conflito?

Aí radica o supremo mistério da feminilidade, quais Sagrado Feminino qual quê?!?!? (Quais/qual é propositadamente literário, para que não haja mal-entendidos J)

A supremacia do género, reside nessa forma de descomunicação, a elevar o subentendido à forma de arte.

Quem não sabe o que quer dizer: Amor, já não me lembro de sair um fim-de-semana contigo.... (Cuidado!!!!.... o Outro.... essa entidade mitológica de longos chifres transmissíveis anda por aí.....)....to say the least.....

Enfim, há que, para evangelizar, pedir às senhoras, nas sábias palavras de “um Amigo meu” para: Dizerem ao que vem...