sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS de Edgar Allan Poe (Leya)

“O medo segue o crime e é seu castigo” VOLTAIRE




Esta semana proponho um livro extraordinário, um conjunto de contos de Edgar Allan Poe, o “pai” do policial, e definitivamente o primeiro a utilizar fortemente o elemento psicológico nos seus escritos. Aliás, uma das suas caracteristicas mais marcantes e distintiva da sua obra é a introdução do elemento subliminar na narrativa. Há sempre alguma coisa por trás do que está a acontecer. Sempre narrados na primeira pessoa, estes contos reunidos em “Histórias Extraordinárias” (originalmente “Tales of the Grotesque and Arabesque” traduzido para francês como “Histoires Extraordinaires” por Baudelaire) são uma primeira abordagem a um mundo de personagens profundamente afectadas por forte sentimentos de insanidade e doença, capazes dos actos mais vis. Há uma profundidade na abordagem do mal, e do mal que temos dentro de nós. Há inclusivamente um destes contos “O Demónio da Perversidade” em que edgar Allan Poe, antes de entrar na narrativa propriamente dita faz uma caracterização da maldade humana ímpar, se bem que, com recurso aos conceitos em voga na época, mais em concreto, o sucesso que fazia a frenologia, uma chamada “ciência”, que atribuia ao individuo um determinado caracter mais ou menos violento ou criminal pela análise das formas e caracteristicas da face e cabeça. Moda essa que caiu entretnto em desuso e quase desapareceu. Deste conjunto de contos, destaco “Metzengerstein”, a primeira história publicada por Poe, “A pipa de amontillado”, “Morella”, “O Poço e o Pêndulo” , “O enterro prematuro” e “O Escaravelho de Ouro”,isto, numa perspectiva de gozo puramente pessoal, evidentemente. A obra de Edgar Allan Poe, que inventou um género, não se esgota nestes textos, a elas voltaremos adiante, pois estes não são sequer os seus escritos mais famosos. No entanto foi-me dada com estes contos a oportunidade de regressar por estes dias à leitura de Poe, o que muito me agradou. É um universo negro, de demência, de maldade gratuita e injustificada, um compêndio de maldades e ambientes opressivos, a fazer adivinhar evolução de uma literatura especifica dentro do terror e absurdo. Não esqueçamos que E.A. Poe viveu entre 1809 e 1849, pelo que revisitar estes clássicos da literatura, nos torna conscientes que o génio é de facto intemporal. De Edgar Allan Poe, se são porventura adeptos de literatura fantástica e querem ir aos primórdios do policial, leiam tudo que conseguirem apanhar. O homem é um Mestre. Boas Leituras!

PARA A SEMANA: RELATO DE UM NÁUFRAGO de Gabriel Garcia Márquez (Edições ASA)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)

A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

A ROMANA de Alberto Moravia (Ulisseia)

CITAÇÕES E PENSAMENTOS DE FERNANDO PESSOA de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras)

BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA de Pablo de Jevenois (Esquilo)

7 comentários:

Marta disse...

e que deliciosa sugestão :)

um beijo, querido amigo

Ricardo disse...

Beijo Martinha. Até Domingo :)

Dalaila disse...

Gosto tanto, gosto muito de ti??? sim e do Edgar Allan Poe também

beijinho

Zaclis Veiga disse...

Caríssimo.
A Marta me colocou em uma enrascada: te sugeriu. E eu adorei e aderi.
Percebo que a fnac se alegrará, ainda mais, com minhas visitas.
Abraço a você, Dalila e Alexandra

limalimaorosabao disse...

Idem «».
cduxa

Bípede Falante disse...

Grande frase essa do Voltaire e magnífico livro de contos esse do Poe, li na época de faculdade e adorei. Qualquer hora, abro outra vez.

Ricardo disse...

Obrigado a todos pela força. Cá continuarei a sugerir algumas leituras.
Obrigado Zaclis e beijinho meu da Dalila e Alexandra!