quarta-feira, 11 de maio de 2011

AS OBRAS PRIMAS DE T.S. SPIVET de Reif Larsen (Editorial Presença)

“O verdadeiro herói e sempre herói por engano; sonhou ser um cobarde honesto” UMBERTO ECO

O compromisso com a leitura oferece a quem o estabelece muitas e boas surpresas, assim tem sido felizmente comigo. Há cerca de um mês atrás, mais coisa menos coisa, teve lugar em Matosinhos um evento literário que porventura gente mais atenta já terá frequentado. A LeV Matosinhos, Literatura em Viagem. Comigo, apesar de tudo não tem sido assim. Não tenho sido nem grande nem assíduo frequentador de eventos da especialidade. Não que não lhe reveja a devida importância, mas sobretudo porque na maior parte das vezes em que tenho estado presente verifico que muitos autores são infinitamente menos interessantes que as respectivas obras, e nem sempre estas são suficientemente boas que justifiquem o empenho e a viagem. No entanto desta vez o motivo era sobremaneira especial, na sessão a que me propus assistir estaria presente o J. Rentes de Carvalho, o meu mais recente vicio literário. Combinada que estava a deslocação com o meu bom amigo e camarada de leituras Fernando Lopes da Invicta assim o fiz. E que boa surpresa tivemos. Para alem do supremo prazer de ouvir, e cumprimentar o J. Rentes de Carvalho ( de quem ouvi nas palavras da Paula Moura Pinheiro do magazine televisivo Câmara Clara dizer ser o maior escritor português vivo, o que confirma muitas das minhas suspeitas aqui vertidas em crónicas anteriores ) ainda tivemos de bónus a presença dos escritores valter hugo mãe, e Reif Larsen, este ultimo de cujo livro hoje trato de sugerir. Valha aqui a verdade. Foi a apresentação que Reif Larsen fez sobre a literatura e as viagens o que mais me motivou a comprar o livro deste jovem escritor norte americano que desconhecia, para mal das minhas leituras. O livro ele próprio constitui um dos exercício literários mais belos e mágicos de que tenho memoria. Sendo a historia contada pelo protagonista Tecumseh Sparrow Spivet, um cartografo de doze anos que tudo reduz aos mapas, poderia pensar se que estávamos na presença de mais um romance infanto-juvenil, na boa e recente tradicao dos livros de J K Rowlings por exemplo. Nada mais ao lado, este e um livro intemporal, que retrata uma viagem de facto mas muito mais uma viagem interior. Não e um livro vulgar, e um grande livro que merece ser comprado, lido e aconselhado. Por tudo, pela historia, pelas belíssimas ilustrações que a acompanham e integram, mas e sobretudo pela forma como esta escrito. Cumprindo o habito de pouco dizer sobre a obra, espero que em breve se juntem a mim como admiradores desta Obra Prima que não de T.S. Spivet, mas sim de Reif Larsen. Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)

Os 36 Homens Justos de Sam Bourne (Asa)

2 comentários:

Fernando Lopes disse...

Companheiro,

Já tinha achado a apresentação do Reif Larsen deliciosa. Agora abriste-me o apetite. É que mesmo que tente, nestas coisas de leituras e escritores, encontro sempre mais pompa do que circunstância.
Pareceu-me que não era o caso. As tuas palavras confirmam-no.

Ricardo disse...

Camarada Lopes,

Na tua companhia até "workshops" de poesia me caíam bem.
Mas felizmente neste caso a coisa corre bem.

Abraço