quarta-feira, 25 de maio de 2011

A METAMORFOSE de Franz Kafka (Guimarães)

“Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?” FRANZ KAFKA

“Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua casa, metamorfoseado num monstruoso insecto.” Esta é a mais que famosa primeira frase de “A Metamorfose” uma obra intemporal de Franz Kafka. Uma vez mais, vou entremeando as minhas sugestões entre o que vou lendo no momento e o que já li num passado mais ou menos remoto. Guardo deste livro muito boas recordações. Tem um grande conjunto de virtudes. É rápido de ler, fácil de perceber e depois dá para se lhe colar um sem numero de interpretações, o que ajuda sempre aqueles que gostam de forçar a análise para além dos livros, e muitas vezes para lá dos seus autores. Já eu, que nada mais pretendo do que incentivar a leitura, apresentando livros que me agradam e agradaram, (uns mais que outros, é certo), não me atiro a grande reflexões sobre a produção de terceiros. Esta coluna serve para sugerir e não para explicar ou justificar algumas metalinguagens que abundam na literatura. Curioso será o facto de Kafka ter escrito este livro em apenas três semanas, com apenas 29 anos de idade, em finais de 1912 e tê-lo publicado em 1915, e tendo afirmado que não gostava do resultado, que considerou “imperfeito e com um final ilegível”. Apesar disso, este livro é, quase um século volvido, um dos seus mais conhecidos escritos. Há um sem número de explicações para a metáfora da metamorfose de Gregor Samsa. Há quem tente o enquadramento histórico das vésperas da I Guerra Mundial, que justificaria o alienamento humano, o pessimismo e a falta de rumo do Homem. Há quem veja neste livro uma obra sobre o padrão económico e a relação de forças que afecta as relações humanas (aqui entre o patrão de Samsa e este), ainda entre a sua própria familia que dependia económicamente de Samsa e sómente o respeita enquanto ele cumpre com o papel de providenciar o sustento familiar, e quem veja nisto uma sublimação das hipocrisias familiares. Enfim, é quase para todos os gostos. O próprio Kafka era extraordináriamente avesso a que se visse neste conto algo que se relacionasse com a sua própria biografia e a conhecida má relação que mantinha com seu pai. Mas é inevitável que alguém o faça. De qualquer modo, pondo de lado as abordagens mais profundas e estudiosas, é um livro excelente e impactante. Não se esquece com facilidade. Põe-nos de facto a pensar. É muito bem escrito, incomparávelmente pensado e encerra apesar de algum negrume e mesmo horror contido na história, um lado de humor com muita relevância. É mais um conselho dado a com a segurança total de que não vão apenas gostar. Vão por vossa vez aconselhar. Evidentemente tudo isto só se aplica a quem por azar, ou desvio acidental, nunca leu. Se é o caso, corram a corrigir a falha.Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:

O Assédio de Arturo Perez Reverte (Asa)

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)


3 comentários:

Marta disse...

tens lá um desafio à tua medida, LEITOR :)
BJO

miGuel pesTana disse...

Olá

passei por aqui e gostei bastante da maneira como comenta os livros que lê.

Ei de passar mais vezes por cá.

Boas leituras


silenciosquefalam.blogspot.com

Ricardo disse...

Olá Miguel,

Obrigado pelo comentário. São meras sugestões descontraídas de leitura, deixo a critica literária para quem se julgue capaz. Abraço.