sexta-feira, 6 de maio de 2011

UM ESTUDO EM VERMELHO de Sir Arthur Conan Doyle

“O homem é absurdo por aquilo que busca, grande por aquilo que encontra” Paul Valéry


Há já algum tempo que não sugeria nada de dentro de um universo que me agrada particularmente e que já deixou nesta coluna muitas sugestões anteriormente. Os romances policiais. Ora se o género me tem oferecido desde sempre muitas e boas horas de leitura, há alguns clássicos que me parecem absolutamente essenciais. Acreditando que haja quem não leu nada da obra de Arthur Conan Doyle, acho altamente improvável que não estejam pelo menos familiarizados com a sua maior criação, o genial detective Sherlock Holmes. Este “Um Estudo em Vermelho” ou “Um estudo em Escarlate”, conforme a versão seja a portuguesa do Brasil ou de Portugal, (“A Study in Scarlet” no original), introduz-nos a uma das duplas de personagens literárias mais icónicas de sempre. Sherlock Holmes e o seu amigo, companheiro, mas sobretudo biógrafo e narrador das aventuras de ambos, o médico Watson. Originalmente publicado em formato de revista (na Beeton´s Christmas Annual em 1887), cria para nós leitores, com inegável mestria um mundo que invariavelmente associaremos a uma Londres vitoriana, de ambientes sombrios e onde se escondem os piores criminosos. O cinema e a televisão marcaram de forma absoluta a passagem destas personagens a património literário global. Todos associamos imagens e referências de Sherlock Holmes e dos seus métodos. O violino, a dedução lógica, o dominio da criminologia, e para os que, para além da imagem de tv e filme efectivamente leram, o vício, as manias, o conhecimento enciclopédico dos venenos e armas e a suprema capacidade de se disfarçar de Holmes e a parceria bem sucedida com o não o Dr. Watson, que também lhe serve de contraponto. São no total 60 histórias em que podemos encontrar esta celebérrima dupla. Desde este primeiro encontro neste “Estudo em Vermelho”, passando por obras incontornáveis como “O Cão dos Baskerville”, encontrando também um dos primeiros e mais célebres representantes do Mal, o Professor Moriarty. Entre uma galeria de figuras que se tornaram familiares aos “aficionados” de Sherlock Holmes, como Irene Adler, o Inspector Lestrade e outros temos a visão perfeita do ambiente britânico do final do Séc. XIX em todas as suas particularidades e cambiantes, desde a mendicidade urbana até aos salões da aristocracia. Mais que não fosse, o espírito inovador de Conan Doyle na forma como nos guia através da perseguição da verdade e do castigo do Mal, fez um caminho sólido, e são aventuras que se lêem hoje como há cem anos. E a esse teste, o do tempo, só os melhores resistem. Sugiro este livro por ser o primeiro, mas não espero que fiquem por aqui. Aliás tenho a certeza disso!Boas Leituras!


Na Mesinha De Cabeceira:
A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)
As Obras Primas de T.S. Spivet de Reif Larsen (Presença)
Suite Francesa de Irene Némirovsky (Dom Quixote)
Os 36 Homens Justos de Sam Bourne (Asa)

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