segunda-feira, 4 de julho de 2011

O CONDENADO de Jeffrey Archer (Europa-América)

“A vingança é o manjar mais delicioso, condimentado no Inferno” WALTER SCOTT

A propósito de uma discussão antiga e que venho aqui relembrando de vez em quando, se há ou não “livros de férias” (o que também se aplica aos denominados “livros de aeroporto”), tenho que reafirmar a minha conclusão particular. Há bons e maus livros. Há livros que exigem mais e outros menos do leitor. A muitos níveis e de formas que são na maior parte das vezes de interpretação particular de cada um de nós. Se é verdade que há autores que parecem ter encontrado a receita do sucesso e que tudo que publicam se transforma em campeão de vendas, não será menos verdade que não há coincidências. Como em tudo, nem só o mercado e a venda em massa diz da qualidade intrínseca de uma obra, como por outro lado, não são só os críticos e algum sector que defende uma certa elitização da literatura que estão certos. Para mim, um bom livro é o que me dá prazer ler. Independentemente de quem o escreve e porque o faz. Há evidentemente diferenças de entre os próprios criadores de “best sellers”, há os de quem não gosto e dificilmente virei a gostar e outros de quem sou completamente adicto. Jeffrey Archer entra nesta ultima categoria. Autor de obras mundialmente reconhecidas, como “Kane e Abel” ou “Primeiro Entre Iguais”, é um nome reconhecido como fonte de muitas e boas horas de leitura agradável e de qualidade. Este “O Condenado” tem uma particularidade muito especial, que o próprio autor não nega e para a qual remete várias vezes ao longo do texto. É um romance que transporta para os nossos dias a epopeia de vingança de Edmond Dantés, o celebérrimo “Conde de Monte Cristo”. Mas Jeffrey Archer, não faz um qualquer pastiche do original, longe disso. Constrói uma história actual, credível e que nos prende da primeira à ultima página. Se é este tipo de adição a que se referem os que acham que a literatura (como a Cultura) deve ser um acto de sofrimento e de elevação ao êxtase, e que não concebem que a verdadeira dificuldade está em tornar fácil e inteligível o que seria mais ainda assim mais fácil complicar e tornar “profundo”, então se é este o segredo, estou dentro dos que gostam mais do simples do que do complicado. Jeffrey Archer não escreve para os críticos, escreve para os leitores, e essa é uma diferença a que muito boa gente que escreve não consegue chegar. Livro de férias, gostava que assim o considerassem, não pelo que ele é, mas simplesmente porque significaria que os meus queridos amigos estavam no gozo das ditas!

Boas Leituras (e Férias se for o caso...)!

Na Mesinha De Cabeceira:

A Conspiração Contra a América de Philip Roth (Dom Quixote)

A Casa Verde de Mario Vargas Llosa (Dom Quixote)

Suite Francesa de Irene Nemirovsky (Dom Quixote)

Eu sou a Charlotte Simmons de Tom Wolfe (Dom Quixote)


Sem comentários: