quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

UM APARTAMENTO EM ATENAS de Glenway Wescott (Relógio d´Agua)


“A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres.” Heráclito


Livro que me foi oferecido por um amigo e que estava em segundas leituras já há bastante tempo. Tive agora finalmente oportunidade de o terminar e de aqui partilhar as minhas impressões sobre ele. Glenway Wescott é um nome relativamente obscuro no panorama literário norte-americano do século XX, mas é-o tão-somente porque numa vida relativamente longa publicou muito pouco, uma meia dúzia de livros entre o romance o conto e o ensaio, a par de um diário. É no entanto um dos escritores pertencentes à chamada “geração perdida”, tendo sido contemporâneo de Hemingway em Paris (de quem se diz que terá nele baseado a sua personagem Robert Prentiss no fenomenal Fiesta (The Sun Also Rises). A sua obra mais conhecida é “O Falcão Peregrino” e valeu-lhe por parte da critica um numero assinalável de comparações muito lisonjeiras. Este “Um Apartamento em Atenas”, é um excelente livro, que toca temas difíceis de abordar com uma mestria assinalável. É a história de um casal de gregos que, debaixo da ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, se vê na obrigação de acolher em sua casa um oficial alemão e com ele conviver. É nesta visão diária, da vida de um casal com dois filhos, eles próprios problemáticos, que se pinta um fresco impressionante sobre a submissão humana, vista de vários ângulos e retratada com um excelente domínio da linguagem. É uma obra sob muitos pontos de vista seca, dura, sem artifícios literários, mas dá-nos a noção exata da medida de cada um quando confrontado com a sua circunstância. Apesar de ser um livro em que o diálogo é sobretudo feito entre o autor e nós, os seus leitores, fico com a sensação que, com o encenador e os atores certos daria uma peça de teatro de efeito espantoso. É de ler. Com toda a certeza. Boa semana e… Boas Leituras!!! J

Na Mesinha De Cabeceira:
PENA CAPITAL de Robert Wilson (D. Quixote)
ATÉ AO FIM 1944-1945 de Ian Kershaw (D. Quixote)
MIRAGEM DE AMOR COM BANDA DE MUSICA de Hernán Rivera Letelier(Quetzal)
A FABULA de William Faulkner (Casa das Letras)
A PIADA INFINITA de David Foster Wallace (Quetzal)
ARCO-IRIS DA GRAVIDADE  de Thomas Pynchon (Bertrand)
AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO de Steven Saylor (Bertrand) 


1 comentário:

redonda disse...

Cheguei aqui pelo Google. Gostei do que li sobre livros e vou passar a seguir a Estante Acidental.
Gábi