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A IMPROVÁVEL VIAGEM DE HAROLD FRY de Rachel Joyce (Porto Editora)

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" Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar." Alphonse de Lamartine Tenho voltado a ler. Talvez não tanto como desejo, mas tenho regressado lentamente a esse pequeno mundo, que sendo partilhado, é também único e especial para cada um de nós. Como é hábito, de entre os autores que venho desde sempre acompanhando e de livros que compro por impulso, aparecem por vezes obras que por uma ou outra razão se nos impõe. Este foi um deles. Talvez porque todos nós na vida também sejamos também peregrinos, da estrada ou da mente, este livro teve um bom efeito em mim. Não sei se é um livro que vá mudar a vida a alguém, a verdade é que esse é um chavão muitas vezes repetido e raras vezes conseguido, mas sei que é uma história que nos faz parar a pensar muitas vezes. E em muitos aspetos da vida. A singular jornada de Harold Fry é simultaneamente um caminho de esperança e uma viagem à falta de sentido da vida....

GOODBYE COLUMBUS de Philip Roth (D. Quixote)

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“Todos os meus dias são um adeus.“ François Chateubriand Ando já há um bom par de anos a ler tudo a que posso deitar a mão de Philip Roth. Desde o absolutamente incontornável “Complexo de Portnoy” do qual já por aqui se falou, passando por alguns outros, de forma aleatória, até chegar ao primeiro que escreveu, este “Goodbye Columbus”. Como em muitas coisas na vida há um ritmo que é primordial. O andamento das histórias muitas vezes determina o seu fim, a forma de contá-las também é muitas vezes melhor ou pior conforme acompanha esse ritmo vital. Philip Roth, tem essa característica mágica, que é tudo menos universal. A questão do ritmo na escrita é para mim fundamental. E isso tem muito que ver com a quantidade de detalhe que se introduz na trama. Nos casos, mais escassos de grandes contadores de histórias, é frequente ver os cenários pintados a traços largos, gerais e adicionar pormenor pela caracterização das personagens ou ainda pelos diálogos. Roth é um mestre na forma como...

Julho de leituras...

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Entradas do Mês :)

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A MULHER QUE DECIDIU PASSAR UM ANO NA CAMA de Sue Towsend (Ed. Presença)

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“A desistência é uma revelação. “ Clarice Lispector Sue Towsend morreu a 10 de Abril deste ano. É um daqueles casos em que sentimos pena de var alguém partir. No final dos anos 80 foi transmitida na televisão portuguesa a série “O Diário de Adrian Mole”, baseado no seu primeiro e ainda hoje maior sucesso. Só depois li o livro, li esse e todos os outros da série Adrian Mole até ao fim. Se há algo que de facto me importa num autor é a autenticidade. Quer no estilo quer na forma de nos descrever a vida por seu intermédio. Sue Towsend foi (e será sempre para mim) uma extraordinária escritora que interpretou com uma graça impar, primeiro os complicados anos da adolescência dessa personagem singular que é Adrian Mole e o seu percurso pela vida. Li ainda outras coisas de Sue Towsend como “A Rainha e Eu” que também aconselho. Este “A mulher que decidiu passar um ano na cama” é mais uma prova do afinado sentido da vida da autora. Eva, decide, no dia em que os filhos saem de casa para a ...

A CASA NEGRA de Peter May (Marcador)

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“O assassinato é sempre um erro. Nunca devemos fazer nada de que se não possa conversar depois de jantar. “ Oscar Wilde Entre escritas de ordem vária e acontecimentos diversos (alguns deles a merecer um livro), a verdade é que a minha compulsão pela leitura tem sofrido algo. Nestas alturas, por motivos que parecerão óbvios a uns e estranhos a outros, quase sempre opto por escolher ler algo de autores que não conheça previamente. Quase sempre também, volto a um reduto que me é familiar e confortável, o policial. Este “A Casa Negra” de Peter May é uma boa surpresa. Quem entrar na obra à espera de um típico policial, vai ter alguma dificuldade em classificar imediatamente o registo desta história. É sobretudo um romance de personagens. Com a coincidência inteiramente pessoal de estar a trocar mensagens com um amigo que se encontrava na Escócia nesses dia (o cenário do livro é a Ilha de Lewis na Escócia), pude tomar contacto com um tipo de escrita de que gostei muito. Não há, com...

Livros para o bom tempo...

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A ILHA DO TESOURO de Robert Louis Stevenson (Clube do Autor)

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“As esplêndidas fortunas – como os ventos impetuosos –provocam grandes naufrágios.” Plutarco Não conheço nenhum grande leitor que não revisite as suas obras de eleição de vez em quando. A releitura oferece-nos muitas vezes prazeres e surpresas agradáveis. Há no entanto que dizer que nem sempre o regresso a um livro onde se foi feliz resulta. Tenho para exemplo disso o “Cem Anos de Solidão”, que, na altura em que o li pela primeira vez passou de imediato a ser considerado como um daqueles poucos livros que muda a nossa perspetiva das coisas e da vida. Sobretudo da escrita. A verdade é que já tentei várias vezes relê-lo e não consigo. O porquê também não sei explicar, o certo é que talvez por receio de lá não voltar a encontrar o sentimento original, também não faço esforço em fazê-lo. Há abundantes opiniões sobre as releituras, desde defensores acérrimos e mesmo os que dizem que nenhum livro se revela na plenitude numa primeira vez, como quem defenda precisamente o contrário. ...

Portugal, A Flor e a Foice de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

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“Dizem que temos valor (os portugueses), mas nos falta dinheiro e união; e todos nos prognosticam os fados que naturalmente se seguem destas infelizes premissas. ”  António Vieira Uma obra que esperou quarenta anos para ser publicada em Portugal. Um livro que se devora autenticamente.   Já o tenho referido muitas vezes em conversa com amigos: o “normal”, hoje em dia tornou-se extraordinário. É verdade. Cada vez que alguém vê as coisas de modo aparentemente normal, as retrata de forma normal e olha de forma normal para a vida, isso parece absolutamente extraordinário, habituados que estamos a que todos sejam tão absurdamente inteligentes, tão desmesuradamente acima do que por vezes conseguimos entender, tão afirmativamente criativos e inovadores, que, quando alguém nos mostra, o que é significativamente mais difícil, uma realidade tal qual ela é, ficamos inexplicavelmente espantados. Numa sociedade repleta de comentadores, analistas, especialistas e outras entidades qu...