quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Acidentalmente chegamos às Cem!


"Eu sempre imaginei que o paraíso deve ser algum tipo de biblioteca” Jorge Luis Borges
Esta semana esta coluna chega à sua centésima edição. Fizeram-se aqui mais ou menos o mesmo número de sugestões de leitura. Dentro do aleatório que é aquilo que tenho vindo a ler, ou coisas mais antigas cujo prazer de ler me apeteceu partilhar. O número em si, não significa nada, mas é uma boa oportunidade para falar um pouco da minha relação com os livros. Uma boa porção daquilo que sou hoje devo-o ao que li. Muito mais do que o que vivi por mim, grande parte da experiência de vida que me acompanha tomei-a emprestada de muitos e bons contadores de histórias. Hoje, talvez seja mais difícil acompanhar (e sobretudo escolher) tudo o que de bom vai sendo publicado. Numa lógica de “publish or die” que vem a ser o grande lema de editores e livreiros, temos as estantes das livrarias, as de facto e as virtuais, positivamente vergadas ao peso de muita coisa que não vale o papel em foi impressa. A selecção nunca é fácil de fazer. Passa muito pelo que me vão dizendo e indicando os meus amigos e companheiros de leitura. A todos eles, devo muito. Uma boa sugestão de leitura tem para mim um valor incomparável. É verdade que como toda a gente que lê tenho os meus favoritos, aqueles autores de quem se espera a próxima obra com a expectativa de quem vai rever um amigo ausente. E que normalmente não me desiludem. Não sei muito bem o que é um bom livro. É de certeza uma perspectiva individual, tão certo como um livro é uma história diferente para cada um que o lê. Ao contrário do cinema ou do teatro em que vemos o que nos é mostrado, um livro dá-nos a todos e a cada um a liberdade de construirmos os nossos cenários e personagens de acordo com o nosso próprio mapa mental. É por isso que somos tão diferentes e individuais quando postos em frente de uma mesma obra, porque a vemos e sentimos de forma absolutamente diversa. Esta semana, aproveitando descaradamente este pseudo centenário não vou sugerir nada em particular. Parece-me sobretudo importante que se vá introduzindo aos poucos nos outros uma maior paixão pelos livros e pela leitura. Não sei se esse é um papel da Escola, dos Pais ou da Sociedade, mas é de certeza O papel da Educação. Quanto mais e melhor lemos, mais armas possuímos para nos defendermos. A vida não está de certeza toda nos livros, mas que sem eles faria menos sentido, disso não tenho a mais pequena dúvida. Assim, cá voltarei para a semana, já não para verter algumas banalidades acerca de livros e leituras como hoje, mas para fazer o que, afinal aqui sempre me propus, partilhar aquilo que tenho lido e gostado. Obrigado a todos que de uma forma ou outra me fazem sentir que vale a pela ler e partilhar. Abraços e Boas Leituras!

Na Mesinha De Cabeceira:
Kyoto de Yasunary Kawabata (Dom Quixote)
Ferrugem Americana de Philipp Meyer (Bertrand)
O Ladrão que Estudava Espinosa de Lawrence Block (Cotovia)
Rever Portugal de Jorge de Sena (Guimarães)
O Escrivão Público de Tahar Ben Jelloun (Cavalo de Ferro)
Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal)
Porno Popeia de Reinaldo Moraes (Quetzal)

5 comentários:

Fernando Lopes disse...

Um centenário, seja lá do que for, é sempre de comemorar! Cem sugestões de leitura, e, cem livros lidos e analisados é, por si só, um feito!
Venham mais cem que a estante aguenta!

Abraço,

Ricardo disse...

Thanks my dear friend! Talvez um dia esta "estante" tenha o prazer e o privilégio de ter um livro escrito por ti...
Grande Abraço e Obrigado!

Bípede Falante disse...

Parabéns :) Que esse cem multiplique-se!!!! beijos :)

miGuel pesTana disse...

VIVA!
Parabens!
Continue.

Boas leituras

Ricardo disse...

Obrigado Meus Amigos, pela força e motivação! Beijo, Abraço e Boas Leituras!