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O Príncipe da Neblina de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)

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“O fantástico não está fora do real, mas no sítio do real que de tão visível não se vê” Vergílio Ferreira Em boa hora encontrei Carlos Ruiz Zafón, já amplamente recomendado por amigos e conhecidos, tardei no entanto algum tempo a ler pela primeira vez uma sua obra. Já dela aqui falei e foi “A Sombra do Vento”, romance que me impressionou profundamente. Carlos Ruiz Zafón é um natural construtor de cenários de mistério e fantasia. Encadeia esse talento com a criação de histórias e ambientes que nos prendem a atenção. Nesse primeiro livro relembro esse lugar mítico que é o “Cemitério dos Livros Esquecidos” que acabou por se tornar uma imagem mental fortíssima para mim e quase um lugar real. Este livro que se sugere esta semana é diferente, e até pelas palavras que o autor empresta em 2007 a uma introdução a esta reedição da Editorial Planeta, se nota que é um livro que tem um lugar especifico no plano da sua obra. Se ajudar o autor diz que este é o ultimo livro que escreveu para ...

O Declinio da Mentira/A Alma do Homem e o Socialismo de Oscar Wilde (Relógio d´Água)

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“A aventura não está fora do homem, está dentro” George Sand Esta semana vou sugerir uma obra que comprei por acaso num dos mais recentes passeios pelas livrarias. Há muito que tenho um fascínio particular por Oscar Wilde. Tudo neste grande autor me interessou um pouco mais do que que o habitual, até ter encontrado num alfarrabista um livro de contos onde fui descobrir histórias da minha infância que atribuía erradamente à tradição popular, ou pelo menos de quem não sabia a fonte. A partir daí, e já lá vão alguns bons anos que tenho intensificado as minhas leituras da obra de Oscar Wilde. Algumas das suas obras como O Retrato de Dorian Gray e o Leque de Lady Windermere vão brevemente também aqui ser aconselhadas, até porque em anos recentes vi no cinema um filme baseado nesta ultima que achei genial “A Good Woman” de Mike Barker de 2004. Mas regressando ao livro desta semana. É uma obra pequena, não chega às 100 páginas e nela estão dois dos ensaios mais brilhantes de Wilde, “...

Carta Branca de Jeffery Deaver (Porto Editora)

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“A aventura não está fora do homem, está dentro” George Sand A sugestão de leitura desta semana tem como ponto de partida um dos personagens de que mais gosto, e porventura um dos personagens literários mais conhecidos globalmente. Neste aspeto não sou mais do que um dos muitos milhões de seguidores das aventuras do espião britânico mais famoso de sempre, James Bond. É verdade que este reconhecimento se deve muito mais ao cinema do que à genial criação de Ian Fleming. No meu caso, e no de muitos da minha geração, estou certo que também conhecemos a personagem primeiro na tela e depois no papel. Mas gostei muito e continuo a gostar dos livros do autor original Ian Fleming, à obra e a esses livros devo também aqui algum tempo de antena que pretendo recuperar em breve. No entanto este de que hoje se fala não é do autor original mas sim já um outro de uma série de autores que tem sido convidados para continuar a dar vida literária a esta fenomenal personagem. Já foram entre outr...

Furacão de Laurent Gaudé (Porto Editora)

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“Quanto mais violenta a tempestade, tanto menor a sua duração” Séneca Uma vez mais uma excelente recomendação. O facto de a esta altura já ter estabelecido com alguns amigos uma espécie de comunidade informal de leitores também me facilita o encontrar novos autores. O meio editorial e livreiro está, como já aqui tenho repetido a ser positivamente inundado de publicações. E nem sempre é fácil encontrar sem ajuda os melhores caminhos. Neste caso foi uma Querida Amiga, e valha a verdade de quem aqui também já sugeri uma obra, “Cicatrizes de Mulher”, a Sofia Branco, quem me indicou a obra e o autor a quem já inclusivamente entrevistou. Não é a primeira vez que a Sofia me introduz autores e universos literários fascinantes, o ultimo, o magnifico “Ferrugem Americana” de Philipp Meyer, provavelmente um dos melhores livros que li nos últimos tempos, e que também aqui aconselhei. Este “Furacão” de Laurent Gaudé é, de facto uma tempestade literária. Dizer que gostei fica claramente aq...

Nao resisto, sou fã da personagem.....

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(d´aprés Ian Fleming)

O Rebate de J. Rentes de Carvalho (Quetzal)

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“Não podem fazer ideia da vida que eles levam, ali. Uma vida rural simples e dura. Levantam-se cedo porque têm muito que fazer e deitam-se cedo porque tem muito pouco que pensar” Oscar Wilde A noticia de um novo livro de José Rentes de Carvalho é sempre um acontecimento, para todos os que vão seguindo a mais do que justa, se bem que espantosamente tardia, decisão de publicar a sua obra entre nós. Logo que o soube por intermédio do blogue “Tempo Contado”, que aliás sigo diariamente, corri a uma superfície comercial da especialidade que tinha o livro “em sistema”, mas não nas prateleiras. Sinais dos tempos. A informação anda claramente à frente da logística. Mas a coisa resolveu-se de um dia para o outro, e não é desses meus contratempos com livrarias e livreiros que aqui se trata. É de mais um enorme livro de Rentes de Carvalho, que uma vez mais retrata com uma profundidade ímpar um universo que é mestre a descrever. Neste “O Rebate”, regressamos à aldeia enquanto universo d...

Novas Entradas

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Recomendado (e emprestado pela minha querida Sofia Branco) :)

Bufo & Spallanzani de Rubem Fonseca (Sextante)

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 “O sono é um entreacto no drama da vida.” Jean Commerson Cumprindo uma auto imposição de que aqui dei conta há algumas semanas, fui em busca de mais obras de Rubem Fonseca. No espaço de tempo entre a última sugestão que fiz da obra deste autor, “O Seminarista” e que tão bem me abriu as portas desta escrita deliciosa e genial, o próprio autor esteve em Portugal integrado no “Correntes d´Escrita”, espécie de congresso de letras da lusofonia. Dentro desse contexto quero crer que muitos dos meus amigos que comigo partilham este “vício” das leituras, terão tido a oportunidade de o ficar a conhecer melhor pela exposição mediática que teve. Para quem ainda não leu, fica aqui mais do que uma sugestão, um aviso para a perda que é não conhecer este registo absolutamente único de mais um dos autores sénior que constituem cada vez mais uma espécie de Senado das Letras a que me vou cada vez mais rendendo. Este “Bufo & Spallanzani” é mais um policial, e é tão-somente o policial...

RAVELSTEIN de Saul Bellow (Quetzal)

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 “Uma vida bem escrita é quase tão rara como uma bem vivida.” Thomas Carlyle Autor e livro novos para mim. Saul Bellow, que, pelos vistos estranhamente andava a perseguir não pela sua mais famosa “As Aventuras de Augie March” (que também já me foi citada por várias vezes) mas de uma obra chamada “Seize the Day” de 1965, a qual nem sei se está traduzida para português. Publicada ao que (não) consegui apurar, não está. Enfim, dentro deste meu espirito de busca de novidades onde estão sempre alguns autores e obras que vou recolhendo por sugestão de amigos e conhecidos, estava Saul Bellow. Pois, sem o saber a minha grande amiga Xana ofereceu-me este “Ravelstein” que, serviu, e de que maneira para me iniciar em mais este caminho por um autor diferente. Se é novidade para mim, também não é mais do que justo reconhecer que Saul Bellow é um nome grande da literatura norte-americana, foi prémio Nobel da Literatura em 1976 e entre outros galardões literários conseguiu também um Pu...

O ASSASSINO À CHUVA E OUTRAS HISTÓRIAS de Raymond Chandler (Afrontamento)

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"É preciso não esquecer e respeitar a violência que temos. As pequenas violências salvam-nos das grandes.” Clarisse Lispector O romance policial sofreu sempre, e acho que sofre ainda de um certo complexo de inferioridade literária na mente de algumas pessoas. Para mim nada de mais longe da verdade. Sou, e aqui o tenho reafirmado ao longo destas sugestões um leitor ávido de bons policiais. Felizmente (não só para mim) há muitos e bons autores que fizeram deste género uma fonte inesgotável de horas de prazer. Mas há que reconhecer que há quem tenha feito um pouco mais do que a maioria para elevar o nível dentro deste clube restrito. E Raymond Chandler é absolutamente incontornável nessa eventual lista. Este livro “O Assassino à Chuva e Outras Histórias” é nada mais, nada menos do que um clássico. Publicado nos anos 30 do século passado, esta obra reúne as primeiras incursões de Chandler neste universo. E define-o, de certa forma. Descobre-se um grande escritor, que aciden...

Já cá mora...

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CONTOS COMPLETOS (1947-1992) de Gabriel Garcia Marquez (D. Quixote)

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"Um livro de contos é um livro ligeiro de emoções curtas: deve portanto ser leve, portátil, fácil de se levar na algibeira para debaixo de uma árvore, e confortável para se ter à cabeceira da cama. Não pode ter o formato dum relatório, que, sendo destinado em definitivo a embrulhar objectos, deve ter de antemão o tamanho cómodo do papel de embrulho; nem pode ter o volume dum calhamaço de erudição histórica, impresso com o fim de ornamentar uma biblioteca.” Eça de Queiróz Não resisti à citação Queirosiana acima. É um facto que o conto, a novela ou “short story” é um registo literário que não é um domínio universal. Há imensos factores a determinar a qualidade dos grandes “contadores de contos”. Há desde o registo mais factual, e nesse campo há muitos autores que se nota que vem claramente do jornalismo para esta área ( e Gabriel Garcia Marquez não é aqui a excepção), e há-os que dentro de um campo mais especificamente literato também por aqui fazem umas incursões. Eu d...

Nova entrada

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Oferta da minha Querida Amiga Xana, que deve ter adivinhado que andava à espera de pretexto para ler alguma coisa de Saul Bellow.  :)

A CIDADE DOS PRODÍGIOS de Eduardo Mendoza (Sextante Editora)

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“ O tempo é o único bem totalmente irrecuperável. Recupera-se uma posição, um exército e até um país, mas o tempo perdido, jamais.” Napoleão Bonaparte Mais um espantoso romance de Eduardo Mendoza. Dou por mim a repetir agradecimentos a quem me fornece pistas de leitura, e neste caso a introdução à obra deste autor foi a “A assombrosa viagem de Pompónio Flato”, que é de facto, uma assombrosa obra, um portento de humor e de desconstrução histórica. Este “A Cidade dos Prodígios” é construído num registo diferente, e tem como protagonista uma personagem invulgar, a própria cidade de Barcelona, com todas as suas crises e etapas de crescimento. Da primeira à segunda Exposição Universal de Barcelona, o percurso do crescimento da cidade, com todas as suas vicissitudes, políticas, económicas e sociais é acompanhado pelo lado humano pela personagem que nos acompanha ao longo do percurso e que o vai pontuando. Onofre Bouvila, um rapaz oriundo da Catalunha profunda e que chega a Barcelona...

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O HOMEM QUE GOSTAVA DE CÃES de Leonardo Padura (Porto Editora)

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"O Cão é a virtude que, não podendo fazer-se homem, se fez animal” Victor Hugo   Leonardo Padura é um autor que já há muito conhecia. Não neste registo de biografia romanceada mas no registo de autor de romances policiais. E dos bons, se me é permitido acrescentar. Li há cerca de uma dúzia de anos um dos romances que ele escreveu e onde pontifica o tenente Mário Conde, personagem que entrou directa para as minhas preferidas no género, “Morte em Havana”, livro que recomendo desde já, mesmo antes de sugerir o que hoje aqui se pretende. Voltando à sugestão semanal, é um grande livro “O Homem que gostava de cães” título assumidamente “repescado” de um conto de Raymond Chandler, dá-nos pela perspectiva de duas testemunhas indirectas, o retrato de Liev Davidovitch Bronstein, que passou à galeria de figuras históricas como Trótski, nos anos do seu exílio e consequente assassinato. Vemos também em paralelo, a vida do seu verdugo Ramón Mercader. Ao longo desta dualidade entre dois ...

V. de Thomas Pynchon (Bertrand)

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"Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas que escapam a quem sonha só de noite” Edgar Allan Poe Este é o romance de estreia de Thomas Pynchon, publicado a primeira vez em 1963 e muito bem recebido pela crítica. É um livro poderoso, um daqueles livros cuja marca de autor é absolutamente reconhecível. Não consigo imaginar outra pessoa a conseguir o efeito literário neste V. da forma que Pynchon o fez. O livro, cuja linha de rumo segue um bando de personagens atípicas, de entre as quais avultam Benny Profane e Stencil, leva-nos numa viagem a um universo onírico, de onde só conseguimos retirar algum sentido se nos deixarmos levar por esse registo que nos afasta do real e nos aproxima mais de um cenário de sonho. Não me parece que um autor banal consiga imprimir um ritmo e fornecer um manancial de informação tão vasto, num registo de não-realidade (ou quase realidade) sem cair na vulgaridade ou na mais simples e prosaica total inverosimilhança da história. É complet...

SOLDADOS À FORÇA de David Lodge (ASA)

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"Detesto, de saída, quem é capaz de marchar em formação com prazer ao som de uma banda. Nasceu com cérebro por engano; bastava-lhe a medula espinal” ” Albert Einstein Não é segredo que David Lodge é um dos meus autores favoritos. Já por mais de uma vez aqui tenho sugerido livros da sua obra. Este, que tem algum registo autobiográfico, se bem que não seja dos mais conhecidos nem mesmo dos que mais sucesso de vendas atingiu, é um dos que mais gostei de ler. David Lodge é um mestre na arte de descrever a relação do individuo com grandes organizações e as próprias relações entre indivíduos que fazem parte destas. Boa parte do melhor que tem publicado versa sobretudo das vicissitudes do meio académico, de onde posso destacar títulos como “O Mundo é Pequeno” ou a “Troca” que são do melhor que tenho encontrado, neste registo de extrema atenção ao pormenor e de um sentido de humor apuradíssimo. Ao penetrar no meio castrense, o nível não baixa minimamente. É um retrato completo d...

OS IMPERFECCIONISTAS de Tom Rachman (Editorial Presença)

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"Os jornais são os arquivos das futilidades” Voltaire Mais um “raid” pelas livrarias e mais duas capturas efetuadas. Acontece não raras vezes que o objetivo inicial se transforma junto das estantes de livreiros e livrarias. Vou normalmente com um ou outro livro, ou mesmo autor em vista e depois, geralmente sem motivo aparente, chego a casa com algo completamente diferente do que pretendia. O grande prazer de ir comprar livros, no meu caso é mesmo esse, é liberdade de poder olhar para os obras em exposição e poder mentalmente adiar algumas que (às vezes acontece) me pareciam há bem pouco tempo, leituras absolutamente urgentes. Nas leituras como na vida os alvos vão mudando, muitas vezes sem nos darmos conta disso. Assim, este livro “Os Imperfeccionistas” cativou-me sobretudo pelo título, em primeiro lugar, e logo de seguida pela sinopse. Se há território sobre o qual gosto bastante de ler é o meio editorial, seja ele livreiro, jornalístico ou académico. Tenho ao longo des...

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