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O HOMEM DESPEDAÇADO de Gustavo Melo Czekster (Dublinense – Brasil)

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"No conto tudo precisa ser apontado num risco leve e sóbrio: das figuras deve-se ver apenas a linha flagrante e definidora que revela e fixa uma personalidade; dos sentimentos apenas o que caiba num olhar, ou numa dessas palavras que escapa dos lábios e traz todo o ser; da paisagem somente os longes, numa cor unida." Eça de Queirós Antes da sugestão, a história. Este livro, e antecipo já, este delicioso livro, fez o seu caminho atravessando o Atlântico por mão da Lelena Terra Camargo, mentora do blogue “Bípede Falante” e grande divulgadora de Arte e Literatura que venho acompanhando há já alguns anos, por via do acesso ao referido blogue e também pelas redes sociais. Para ela vai desde já o meu sincero e merecido agradecimento. Há poucas coisas tão valiosas na vida como um bom livro, que estão nível de um bom Amigo, mas, infelizmente, nem um nem outros se atravessam na nossa vida com a frequência que desejamos. Este livro, ao qual tenho acesso por privilégio, já que n...

MAIGRET & A AMIGA DE MADAME MAIGRET de Georges Simenon (ASA)

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"Provamos através da lógica, mas descobrimos a partir da intuição." Jules Poincaré    A “Estante Acidental” regressa depois desta quinzena de interrupção estival, que, esperamos possa ter sido de férias para todos os que partilham o prazer da leitura. Nesta altura, por motivos vários e dos quais já por várias vezes aqui se tem falado, aparentemente lê-se mais. E isso é, no meu ranking das coisas boas, próximo do excelente. Não importa muito o que se lê, desde que se leia. Sei que haverá sempre quem conteste e com boa argumentação mas, há tempo para avançar para outros patamares. Importante é ler. E para tudo há um ponto de partida. Sei-o por experiência de anos a tentar incutir hábitos de leitura em tudo o que mexe à minha volta, a taxa de sucesso é bastante duvidosa, mas não desisto. A sugestão desta semana vem na sequência de um regresso estival a leituras de policiais mais antigos. Tenho até um amigo de leituras que está neste momento a revisitar a famosa “Cole...

KYOTO de Yasunary Kawabata (D. Quixote)

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“A beleza é a harmonia entre o acaso e o bem” Simone Weil Quem andar minimamente atento às linhas finais desta crónica não ficará surpreso com esta sugestão. Este livro estava em “lista de espera” há largos meses. Não por nada de especial, simplesmente foram entrando para a “Mesinha de Cabeceira” artigos dos quais estava mais à espera. E a verdade é que foi bom aguardar. A literatura oriental, tem sido de facto um dos territórios inexplorados nas minhas incursões de leitura. Salvaguardando Haruki Murakami, de quem já por aqui tenho falado mais do que uma vez, e que foi a determinada altura uma pequena obsessão temporária, pouco mais me resta. Yasunary Kawabata nada mais significava para mim do que um nome na já longa lista de laureados com o Premio Nobel da Literatura, mais precisamente em 1968. Ora, o que também faz algum sentido dizer aqui uma vez mais,é o facto de que não é a quantidade de prémios, artigos, criticas ou polémicas que me levam a ler este ou aquele autor....

O JOGO DO ANJO de Carlos Ruiz Zafón (D. Quixote)

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"O jogo é um corpo-a-corpo com o destino." Anatole France Chegados que somos a vésperas de férias do jornal, que retomará publicação em Setembro, deixo aqui mais uma sugestão para o período que se segue e que, espero, seja também de descanso e de boas leituras. Uma vez mais, a ordem dos fatores se tornou arbitraria, nesta minha incursão pelo universo literário de Carlos Ruiz Zafón. Este é o segundo livro da esperada e celebrada tetralogia deste autor. Comecei pela “Sombra do Vento” e, como decerto se recordarão, aqui sugeri recentemente “O Prisioneiro do Céu”, a mais recente das obras deste conjunto. De qualquer forma a intenção anunciada do autor é a de que cada um destes tomos seja tomado como um livro único, uma história centrada em si mesma, se bem que, como sabem os que já leram mais de um destes livros, tudo esteja interligado. A estrela de toda esta saga é Barcelona, os seus ambientes e cenários desde a primeira Exposição Universal. Carlos Ruiz Zafón, criou u...

OS DIÁRIOS SECRETOS de Camilla Läckberg (D Quixote)

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"Se revelares os teus segredos ao vento, não o culpes por os revelar às àrvores." Khalil Gibran Chegados que somos aos primeiros dias de Agosto, estou certo que são muitos aqueles que estão perto do seu período habitual de férias. Sem cair na tentação de voltar a falar das leituras estivais, pelo menos no seu aspeto qualitativo, há algo que posso fazer, e que é o que aqui me faz regressar, com esta, pelo menos há cento e trinta e cinco vezes já. Aconselhar um livro que entretenha. No fundo, aconselhar aquilo que a literatura tem como ultimo motivo, revelar pelos olhos de outros, novas pessoas e novas paisagens onde acontecem coisas que existem de facto ou são criadas para nosso prazer. Não tenho essa contabilidade fechada, mas desconfio, que dos muitos livros e autores que aqui tenho aconselhado, uma boa porção andará perto do género policial. Ora nos últimos anos, o que no meu caso particular não era conhecimento novo, o mercado editorial foi buscar alguns autores a...

A SORTE DE JIM de Kingsley Amis (Quetzal)

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"Quanto maior for a sorte, menos se deve acreditar nela." Tito Livio Mais uma semana, esta de regresso ao trabalho após umas curtas mas proveitosas férias, em termos de leituras, claro está. Acontece com uma periodicidade certa e com uma certeza quase matemática que as prateleiras principais de todos os espaços que oferecem livros para venda na chamada “época alta” de férias, disponibilizam sempre uma maior oferta em termos de quantidade do que em termos de qualidade. Há uma certa “leitura de massas” que se pode apreciar mais significativamente nesta altura do ano. Assim, lá vemos pelas mesas das esplanadas e pelas areias das praias muitos livros de autores que quase sempre não nos surpreendem. Entendo desde sempre que não deve haver ditadura de gosto relativamente aos livros. No estado em que a literacia anda e tem andado no nosso País, já é um avanço considerável que as pessoas leiam livros maus, e pode mesmo ser por aí que a tendência se consiga estabelecer num...

O PRISIONEIRO DO CÉU de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)

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"Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de  tudo." Friedrich Nietzsche Para início de conversa devo afirmar que este livro que hoje se sugere foi, de facto, comprado no aeroporto. Não que, como mais de uma vez aqui tenho abordado, Carlos Ruiz Zafón, configure aquilo que genericamente se costuma designar por autor de leituras aeroportuárias. Tema que certamente me garantiria uma boa polémica com alguns dos puristas que enxameiam o terreno de piso incerto que é a critica literária, este de se saber quem, ou que tipo de livros, constituem essa categoria (muitas vezes injustiçada) de "leitura de aeroporto". Rótulos eventuais à parte o facto que aqui importa, e é o que me faz ciclicamente cá voltar com estas sugestões que podem ou não agradar, é o de que Carlos Ruiz Zafón é autor de um universo literário do qual me tornei claramente aficionado. Neste "O Prisioneiro do Céu", regressamos às personagens de "A Sombra do...

A GRANDE ARTE de Rubem Fonseca (Sextante Editora)

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“Toda a arte é um problema de equilíbrio entre dois opostos” Cesare Pavese Há livros e livros. Deste estou positivamente a “ressacar”. Para início de conversa adianto já que é um extraordinário romance, que só por acaso também é um magnífico policial. De Rubem Fonseca outros melhor do que eu falarão com certeza, do seu trajeto, da sua obra, dos seus prémios, das suas características enquanto autor etc. Eu, que aqui nada mais pretendo, do que sugerir livros de que gosto ou gostei, tenho mais uma vez o meu papel extraordinariamente facilitado. Quem leu já algo de Rubem Fonseca sabe que a expectativa é sempre alta para todas as obras que se nos apresentam. Esta, de 1983, é, com grande probabilidade a que mais me fascinou até agora. Devo aqui confessar que conheci primeiro o protagonista destes romances, o advogado Mandrake, numa série televisiva que passou há algum tempo na RTP2, protagonizada pelo ator Marcos Palmeira e da qual na altura fiquei adepto. Para verem que sou um ...

A PAIXÃO DO POVO (História do Futebol em Portugal) de João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro (Edições Afrontamento)

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“Tudo quanto sei com maior certeza sobre a moral e as obrigações dos homens devo-o ao futebol” Albert Camus Vários fatores concorrem para a sugestão desta semana ser esta em particular. Em primeiríssimo lugar o facto de um dos autores ser um dos meus melhores amigos e a quem estou ligado por laços de várias naturezas. O João Nuno Coelho, sociólogo com obra extensa sobre o fenómeno futebolístico é também agora um Vimaranense, facto no qual julgo ter uma pequena parcela de responsabilidade, se me permitem a imodéstia. Tem várias obras publicadas sobre as quais aqui falarei em futuras oportunidades. Se é estranho que nunca aqui tenha referido esta obra excecional e que é por muitos considerada como uma espécie de “Bíblia do Futebol” em Portugal, isso tem uma explicação e um motivo. Esta coluna tem como regra (que admite exceções que o mereçam, como é claramente o caso) o falar de livros que tenho lido recentemente ou leituras mais ou menos antigas que entendo serem merecedor...

JONATHAN STRANGE & O SR. NORRELL de Susanna Clarke (Casa das Letras)

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“Só a fantasia permanece sempre jovem; o que nunca aconteceu nunca envelhece” Friedrich Schiller Numa fase mais complicada para as minhas leituras atuais, que, valha a verdade estão a concorrer com um momento profissional muito preenchido, a única forma de continuar a minha microscópica batalha pela leitura é a de me socorrer de leituras mais antigas. É o caso deste livro singular que durante muito tempo me deixou uma impressão intensa. É um livro de 2004 e foi a primeira obra publicada por Susanna Clarke (de quem aliás não li mais nada para ser honesto). Mas esta obra é mesmo assim única, no sentido de lhe pertencer uma forma e um estilo muito próprio. A ideia de base do livro, que nos remete para o século XIX em Inglaterra é de que a magia sempre teria existido no Reino Unido, até que simplesmente se extinguiu por nela se ter deixado de acreditar. É aí que surgem em cena as personagens principais deste livro, Gilbert Norrel e Jonatan Strange que vão tentar recuperar a mag...

SANTA LIBERDADE de Miguel Bayón (Edições ASA)

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“Só é digno da liberdade, como da vida, aquele que se empenha em conquistá-la” Goethe Este livro já o li há algum tempo, (esta 1ª edição que possuo é de 2000) no entanto, nas voltas que dou habitualmente pela minha estante voltou-me às mãos e de imediato me pareceu uma injustiça ou pelo menos uma desatenção nunca aqui o ter sugerido . A história, aqui com H maiúsculo, é verdadeira, e para grande estranheza minha não é um episódio que a Democracia tenha celebrado e acarinhado como devia. Até o facto de o autor não ser português me gera uma certa surpresa também. Miguel Bayón é espanhol e toma este tema como seu, no que, também se deve dizer, nos presta a todos um belíssimo serviço. Na minha geração (os nascidos nos anos 60) o nome de Henrique Galvão ainda vai dizendo alguma coisa aos mais politizados, mas estou em crer que para as gerações que atualmente se sentam nos bancos das escolas em Portugal pouco ou nada significará. E é pena. É provavelmente uma daquelas personagens...

O Caso da Noiva Atormentada de Erle Stanley Gardner (Edições ASA)

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“Um júri é um grupo de pessoas escolhidas para decidir quem tem o melhor advogado.” Robert Frost  “O Estranho Caso de Nunca Ter Escrito Nada Sobre Erle Stanley Gardner”, podia muito bem ser o titulo da sugestão de leitura desta semana. E é verdade, se por aqui tenho mantido que grande parte dos meus hábitos de leitura foram ganhos a devorar policiais na adolescência ( muito fruto da célebre Colecção vampiro, presente em grande parte das casas de familiares e amigos ), é de facto um “estranho caso” nunca aqui ter “chamado” o criador dessa figura mítica da literatura que é o advogado Perry Mason. Mais do que sugerir este livro em particular “O Caso da Noiva Atormentada” (devo referir que no original a noiva é curiosa e não atormentada “The Case of The Curious Bride”, o que em si também daria para gastar uma ou várias crónicas, com as aí sim “curiosas” traduções para português dos títulos de livros e filmes), mas avançando, o que mais importa aqui é de facto assinalar a obr...

O Príncipe da Neblina de Carlos Ruiz Zafón (Planeta)

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“O fantástico não está fora do real, mas no sítio do real que de tão visível não se vê” Vergílio Ferreira Em boa hora encontrei Carlos Ruiz Zafón, já amplamente recomendado por amigos e conhecidos, tardei no entanto algum tempo a ler pela primeira vez uma sua obra. Já dela aqui falei e foi “A Sombra do Vento”, romance que me impressionou profundamente. Carlos Ruiz Zafón é um natural construtor de cenários de mistério e fantasia. Encadeia esse talento com a criação de histórias e ambientes que nos prendem a atenção. Nesse primeiro livro relembro esse lugar mítico que é o “Cemitério dos Livros Esquecidos” que acabou por se tornar uma imagem mental fortíssima para mim e quase um lugar real. Este livro que se sugere esta semana é diferente, e até pelas palavras que o autor empresta em 2007 a uma introdução a esta reedição da Editorial Planeta, se nota que é um livro que tem um lugar especifico no plano da sua obra. Se ajudar o autor diz que este é o ultimo livro que escreveu para ...

O Declinio da Mentira/A Alma do Homem e o Socialismo de Oscar Wilde (Relógio d´Água)

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“A aventura não está fora do homem, está dentro” George Sand Esta semana vou sugerir uma obra que comprei por acaso num dos mais recentes passeios pelas livrarias. Há muito que tenho um fascínio particular por Oscar Wilde. Tudo neste grande autor me interessou um pouco mais do que que o habitual, até ter encontrado num alfarrabista um livro de contos onde fui descobrir histórias da minha infância que atribuía erradamente à tradição popular, ou pelo menos de quem não sabia a fonte. A partir daí, e já lá vão alguns bons anos que tenho intensificado as minhas leituras da obra de Oscar Wilde. Algumas das suas obras como O Retrato de Dorian Gray e o Leque de Lady Windermere vão brevemente também aqui ser aconselhadas, até porque em anos recentes vi no cinema um filme baseado nesta ultima que achei genial “A Good Woman” de Mike Barker de 2004. Mas regressando ao livro desta semana. É uma obra pequena, não chega às 100 páginas e nela estão dois dos ensaios mais brilhantes de Wilde, “...

Carta Branca de Jeffery Deaver (Porto Editora)

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“A aventura não está fora do homem, está dentro” George Sand A sugestão de leitura desta semana tem como ponto de partida um dos personagens de que mais gosto, e porventura um dos personagens literários mais conhecidos globalmente. Neste aspeto não sou mais do que um dos muitos milhões de seguidores das aventuras do espião britânico mais famoso de sempre, James Bond. É verdade que este reconhecimento se deve muito mais ao cinema do que à genial criação de Ian Fleming. No meu caso, e no de muitos da minha geração, estou certo que também conhecemos a personagem primeiro na tela e depois no papel. Mas gostei muito e continuo a gostar dos livros do autor original Ian Fleming, à obra e a esses livros devo também aqui algum tempo de antena que pretendo recuperar em breve. No entanto este de que hoje se fala não é do autor original mas sim já um outro de uma série de autores que tem sido convidados para continuar a dar vida literária a esta fenomenal personagem. Já foram entre outr...

Furacão de Laurent Gaudé (Porto Editora)

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“Quanto mais violenta a tempestade, tanto menor a sua duração” Séneca Uma vez mais uma excelente recomendação. O facto de a esta altura já ter estabelecido com alguns amigos uma espécie de comunidade informal de leitores também me facilita o encontrar novos autores. O meio editorial e livreiro está, como já aqui tenho repetido a ser positivamente inundado de publicações. E nem sempre é fácil encontrar sem ajuda os melhores caminhos. Neste caso foi uma Querida Amiga, e valha a verdade de quem aqui também já sugeri uma obra, “Cicatrizes de Mulher”, a Sofia Branco, quem me indicou a obra e o autor a quem já inclusivamente entrevistou. Não é a primeira vez que a Sofia me introduz autores e universos literários fascinantes, o ultimo, o magnifico “Ferrugem Americana” de Philipp Meyer, provavelmente um dos melhores livros que li nos últimos tempos, e que também aqui aconselhei. Este “Furacão” de Laurent Gaudé é, de facto uma tempestade literária. Dizer que gostei fica claramente aq...

Nao resisto, sou fã da personagem.....

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(d´aprés Ian Fleming)