quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MENOS QUE ZERO de Bret Easton Ellis (Edição de 1988 do Circulo de Leitores)

“Tenho toda a simpatia pelo Americano, que ficou tão horrorizado pelo que tinha lido acerca dos malefícios do tabaco… que deixou de ler.” Henry G. Strauss



Bret Easton Ellis é um autor difícil de catalogar, e a sua obra tem sido referida, como um dos expoentes da chamada X Generation, à qual também pertenço (os nascidos entre 1965 e meados dos anos 80), a par de, por exemplo, Jay McInernay. A sua obra descreve como poucas o verdadeiro universo da futilidade e da falta de sentido de vida de um certo estrato social.
Há personagens que se repetem nos diversos livros, mas há uma certa dissonância entre a forma como o autor se descreve a si próprio, declarando-se moralista e o que a critica proclama, ao rotulá-lo como niilista.
É um mundo cru e violento que nasce com o seu primeiro romance, este “Less than Zero”, titulo “emprestado” de uma canção de Elvis Costello.
De destacar sobretudo que este livro é escrito por Bret Easton Ellis com apenas 19 anos de idade, o que surpreende, pelo catálogo de perversões e de atitudes-limite das suas personagens.
Este género de escrita que é absolutamente desbravadora de um caminho novo na ficção, gera ao longo dos anos 90, uma série de seguidores, mais ou menos conhecidos, do qual talvez me atreva a salientar Irvine Welsh (Trainspotting, Filth e Ectasy) por exemplo. Se bem que em ambientes diferentes, há um certo retrato íntimo da degradação da juventude.
“Menos que Zero” é publicado em 1985, retratando as férias de Primavera (Spring break) de um jovem universitário que volta a Los Angeles para reencontrar uma galeria de amigos com estilos de vida extremos e famílias completamente disfuncionais, nos princípios dos anos oitenta.
Tem um elenco de personagens vagamente reconhecíveis por analogia e, apesar do cenário ser Los Angeles, e decorrer a acção num estrato social alto, com toda a espécie de comportamentos desviantes por parte dos intervenientes, conseguimos reconhecer o que caracteriza a época.
Uma descrição da vida urbana desregrada, de uma sociedade sem utopias, sem causas e sem valores a que se dedicar, o que, apesar da desproporção da comparação com a nossa realidade portuguesa da época, diz bem da descrença com que uma geração foi formatada.
Da restante obra, “As regras da atracção”, o fenomenal “American Psycho” e “Glamorama” são os títulos que li, e aconselho vivamente.
Não acredito, apesar de ser um autor de sucesso mundial, que tenha um estilo que agrade a toda a gente, mais pelo conteúdo, do que pela forma.
Mas como em tudo, é preciso ver, e sobretudo, ler.


PARA A SEMANA: A RAINHA E EU de Sue Townsend (DIFEL)

NA MESINHA DE CABECEIRA:
Continuam:
EU, ANIMAL de Indra Sinha (Difel)
O SIMBOLO PERDIDO de Dan Brown
EM PORTUGAL NÃO SE COME MAL de Miguel Esteves Cardoso (Asírio & Alvim)
NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)
A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS de Markus Zusak (Editorial Presença)

Entra: A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

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