quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Talentoso Mr. Ripley de patricia Highsmith

“Uma das coisas maravilhosas de um livro, em contraste com um ecran de computador, é que o podemos levar para a cama connosco

DANIEL J. BOORSTEIN

O TALENTOSO MR. RIPLEY de PATRICIA HIGHSMITH

Patricia Highsmith é a “mãe” dos thrillers psicológicos, introduz no romance, quase sempre no género policial/crime, várias componentes poucas vezes antes tentadas. Há certamente uma caracteristica que é altamente invulgar na escrita do género e que raramente se encontra em obras anteriores às desta magistral autora, o crime sem castigo. Cria também um ambiente onde as motivações para o crime absolutamente banais, o que é recorrente na sua obra, mas conseguimos reconhecer como possiveis os processos mentais das suas personagens-limite. Não é simplesmente a noção de anti-herói, ou de herói-vilão, é a caracterização do universo interior das personagens que ou é absolutamente desprovida de remorso e sentimentos sobre os crimes, que de uma forma ou outra cometem, ou contém um sentido que nos escapa a principio.

A banalização do crime, a ausência de sentimento de culpa e o mais absoluto desprezo pelas convenções são muitas vezes os signos pelos quais se regem as suas personagens, entre as quais avulta, pela absoluta originalidade uma criação ímpar:

Destaca-se da sua obra a chamada “Riplíada”, uma série de romances à volta da genial personagem de Thomas Ripley, obras das quais o titulo de hoje é a primeira. Publicado pela primeira vez em 1955 (The Talented Mr. Ripley), e pela ultima em 1991 (Ripley Under Water), esta personagem é assombrosa e de difícil descrição.

Neste primeiro romance assistimos a um Tom Ripley que se assume gradualmente como sendo outra pessoa até a uma transformação quase absoluta. Para dar uma pequena introdução à estória, Ripley é contactado por um milionário que procura noticias do seu filho que está na Europa a viver uma vida de fausto e “glamour” a fim de o recuperar para que se estabeleça nos negócios da familia. Ripley, que é apenas um vago conhecido de Dickie Greenleaf, viaja para Itália onde contacta com Greenleaf, e, acaba por, apaixonado pelo estilo de vida luxuosa e fácil do milionário, o assassinar e tomar o seu lugar. É este o ponto de partida para uma história onde um pequeno burlão sem escrúpulos se torna uma das mais míticas personagens literárias do universo policial.

E em todas as obras subsequentes onde reaparece Tom Ripley há um fio condutor comum, todos os seus actos nrem o condenam nem o redimem. É a personagem amoral por excelência.

Para quem conhece é um dado adquirido, para quem não entrou neste universo ainda, tem todos os motivos para o fazer.

PARA A SEMANA: O SIMBOLO PERDIDO de DAN BROWN

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

EU, ANIMAL de Indra Sinha (Difel)

EM PORTUGAL NÃO SE COME MAL de Miguel Esteves Cardoso (Assírio & Alvim)

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)

A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS de Markus Zusak (Editorial Presença)

A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

2 comentários:

Dalaila disse...

Eu também acho! uma das melhores coisas do mundo é levar-te para a cama comigo.

Anónimo disse...

Olá Ricardo!
Que bom teres publicado a Estante Acidental em blog! Assim, não são só os vimaranenses que têm o privilégio de te ler. :)
Gostei do blog e passarei cá com regularidade, a ver o que "aconselhas", até porque tens cá livros/autores de que eu também gosto (um deles, aliás, foi-me apresentado por ti, no jantar da abrótea).
Beijo,
Xana:)