quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Vida em Surdina - David Lodge

“Os livros tem os mesmos inimigos das pessoas: fogo, humidade, os animais, o tempo e o seu conteúdo.” Paul Valery 1871-1945



Não me vou alongar em explicações sobre os objectivos desta crónica, parece-me que há pouca gente a falar de livros pelo prisma do simples prazer de ler.
Apresentarei todas as semanas um livro que já tenha lido e uma pequena lista dos que estão em leitura, e se, conseguir despertar interesse num único eventual leitor, terei cumprido o meu papel.
Assim, o livro desta primeira semana é:
A Vida em Surdina de David Lodge, no original Deaf Sentence de 2008 de David Lodge, editado pelas Edições Asa este ano.
Só para esclarecimento prévio, o autor, David Lodge, é um dos meus autores contemporâneos favoritos, e é editado pela Asa em Portugal, para mais informações, por favor “googlem” o nome (nunca vi a expressão “googlar” utilizada num texto em português, mas depois dos vários Acordos Ortográficos, não me atemoriza fazê-lo, é uma questão de tempo.)
Quanto ao livro propriamente dito, que é o que importa, é verdadeiramente delicioso, seria certamente melhor que o pudessem ler no original em inglês, já que, a começar pela tradução do titulo, ( Deaf Sentence é foneticamente igual a Death Sentence, o que é mais ou menos Sentença de Surdez / Sentença de Morte, o que introduz brilhantemente a tragédia particular da personagem principal) alguns trocadilhos brilhantes perdem algum do seu efeito, de qualquer modo, a tradução está muitíssimo bem conseguida para a dificuldade que à partida seria de esperar.
Ao longo de cerca de 300 páginas, vamos acompanhar a progressiva perda de audição de Desmond Bates, uma personagem transversal à obra do autor, e acompanhá-lo numa sucessão de capítulos absolutamente geniais, do patético e ridículo de situações quotidianas até cenas verdadeiramente grandiosas de humor e sensibilidade.
Não há muito a dizer, senão que é um bom livro para introduzir a obra do autor a quem não o conhece, claro, pois este é o mais recente editado entre nós.
Evidentemente, voltarei à obra completa de David Lodge publicada em Portugal para dar a minha opinião.

Para terminar, e só para que conste, esta coluna tem o meu exclusivo patrocínio, com excepção das ofertas de amigos, e segue um único padrão altamente subjectivo, o meu gosto pessoal, não tenciono arregimentar, evangelizar e muito menos converter ninguém a nenhum livro ou autor, a nada que não seja simplesmente, o Prazer da Leitura.

NA MESINHA DE CABECEIRA:

EU, ANIMAL de Indra Sinha (Difel)
A ESTIRPE de Guillermo del Toro e Chuck Hogan (Ed. Objectiva)
EM PORTUGAL NÃO SE COME MAL de Miguel Esteves Cardoso (Assirio & Alvim)
NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)
A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS de Markus Zusak (Editorial Presença)

Para a semana: O CALÍGRAFO de Edward Docx (Ed. Civilização)

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