quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Calígrafo - Edward Docx 2004 (Editora Civilização)

“Considero a Televisão muito educativa. Sempre que alguém liga o aparelho, vou para o quarto ao lado e leio um livro.” Groucho Marx


A história de Jasper Jackson, um quase trintão, com uma ocupação profissional pouco frequente, é um dos poucos calígrafos no Mundo que vive do seu trabalho e que faz da transcrição dos “Sonetos Eróticos” de John Donne por encomenda de um milionário americano. E é através dos “Sonetos” ,que pontuam a obra com o estado de espírito de Jasper e o crescendo da sua relação com Madeleine, que vamos sendo transportados para o interior de uma história de amor com diferentes níveis, com diálogos e situações de humor muito bem construídas. Uma espécie de história de “mentira e consequência”, com personagens muito bem construídas e absolutamente impagáveis, das quais destaco o par, pai/filho, Roy e Roy Júnior, que gerem uma mercearia “gourmet” no bairro de Jasper e que lhe prestam também outro tipo de serviços adicionais.
Foi, provavelmente, o livro que mais apreciei ler nestes últimos tempos, uma história de enganos e paixão, escrita com um detalhe e vivacidade impressionantes.
Diálogos espantosos, e um universo sofisticado que se divide entre Londres, principalmente, mas também Roma, com descrições de uma simplicidade genial, a fazer desta primeira obra de Edward Docx uma certeza de mais e melhor, (estou à espera, de facto, pelo correio, do segundo livro “Pravda” ou “Self-Help”, que em Portugal se intitula “A Verdade”).
Edward Docx cria, de forma densa, inteligente e muito divertida, uma trama sobre relações complicadas entre personagens complexas, o que consegue de forma brilhante, para tal bastam, os dois momentos absolutamente surpreendentes de como se chega à conclusão do livro.
Em conclusão, é um livro a ler e um autor a ter em atenção para as próximas obras.

PARA A SEMANA:

A LINHA NEGRA de Jean Cristophe Grangé (Edições Asa)
NA MESINHA DE CABECEIRA

Continuam:
EU, ANIMAL de Indra Sinha (Difel)
EM PORTUGAL NÃO SE COME MAL de Miguel Esteves Cardoso (Assirio & Alvim)
NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)
A RAPARIGA QUE ROUBAVA LIVROS de Markus Zusak (Editorial Presença)

Lido:
A ESTIRPE de Guillermo del Toro e Chuck Hogan (Ed. Objectiva)
Entra (por oferta de um amigo do Autor):
A CANDIDATA de Carlos Pereira Santos (Prime Books)

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