terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Simbolo Perdido de Dan Brown (Bertrand)

Os livros podem ser divididos em dois grupos: aqueles do momento e aqueles de sempre.

John Ruskin

É o quinto livro de Dan Brown que leio, como toda a gente comecei pelo incontornável “Codigo Da Vinci”, recuperei a cronologia da obra ao ler aquele que de facto foi o seu primeiro romance, “Anjos e Demónios”, ao que se seguiram “A Conspiração” e “Fortaleza Digital”. Este “O Simbolo Perdido” não foge à fórmula de sucesso dos anteriores. O herói, o já bem conhecido e publicitado Robert Langdon, vai perseguir mais um criminoso em busca de uma verdade escondida. Neste livro, a caracterizaçao do universo maçónico, seus ritos e simbologia é bem descrita, e a fazer fé em alguns especialistas no fenómeno, bastante próxima da verdade factual.

Há no entanto algumas diferenças entre este romance e os anteriores em termos de trama. Aqui, neste livro, se bem que se faz, como nos anteriores uma busca exaustiva do conhecimento disponível acerca de uma hipotética Palavra fundamental, não há interesses organizados ou seitas que se proponham utilizar esse conhecimento em proveito próprio, aqui, o criminoso age movido por outros interesses.

A escrita de Dan Brown, assenta em algumas premissas, aparentemente fáceis de reproduzir, mas que se revestem de uma base de conhecimento bastante estruturada e bem vertida em cada página. A cadência da acção é o fundamental.

É natural que se repare que os capitulos são bastante curtos, com constantes mudanças de cenário e personagens e pelo meio, outros trechos que introduzem o passado das personagens e as explicações de toda a simbologia associada, e dos sempiternos criptogramas e charadas que o protagonista tem de resolver ao longo da estória. Normalmente também há um prazo, de algumas horas a poucos dias, em que toda a história se passa. Isto cria uma espécie de vertigem de leitura que a determinado ponto de torna quase compulsiva.

Creio que é absolutamente um “livro de moda”, mas cumpre na integra aquilo que dele se espera. Que entretenha. E não me parece que a função deste género de romances seja outra. Independentemente de se associar alguma polémica, nomeadamente aos romances onde Robert Langdon é protagonista, nos dois primeiros com a Igreja (o sagrado feminino do Código da Vinci e o “Camerlengo” assassino de “Anjos e Demonios”, e de neste livro se atirar noutra direcção, o esquema de evolução das estórias é demasiado parecido, e sim, bem sucedido para que o autor mude esta receita que lhe permite vendas fabulosas a nivel global. Sendo que a propria polémica que antecede e sobrevive aos livros de Dan Brown também começa cada vez mais a fazer parte da máquina de marketing que rodeia estes lançamentos. Ou não antecipassemos nós, que cada vez mais estes livros são pré-argumentos cinematográficos à espera de Tom Hanks.

De qualquer forma, é sempre uma boa prenda de Natal, é preferivel oferecer um livro para ler do que um para decorar estantes. Mesmo que acidentais.

PARA A SEMANA: EM PORTUGAL NÃO SE COME MAL de Miguel Esteves Cardoso (Assírio&Alvim)

NA MESINHA DE CABECEIRA:

Continuam:

EU, ANIMAL de Indra Sinha (Difel)

NO CORAÇÃO DE ÁFRICA de William Boyd (Casa das Letras)

A MULHER CERTA de Sándor Márai (D. Quixote)

Entra: (Oferta do Amigo e Autor) - VISÃO GLOBAL – Conversas para entender o Mundo - de José Cutileiro e Ricardo Alexandre (Prime Books)

1 comentário:

Dalaila disse...

Cada vez estão melhores e mais apuradas estas tuias crónicas, convém que cada vez mais, mais pessoas tenham o prazer de te ler.

Está muito bom,

Parabéns